Há anos digo e repito que só a consciência salva!
Porque da nossa consciência nascem as escolhas que fazemos e que, por consequência, tecem a realidade. A nossa individual e a coletiva.
Ainda em janeiro, voltei a escrever sobre esse tema por aqui. E volto a falar sobre ele.
Sinto que nunca foi tão importante e tão essencial como nos tempos atuais essa compreensão: de que a cura que buscamos para o mundo começa pela consciência da responsabilidade que temos a partir das escolhas que fazemos. Porque é através das escolhas que fazemos que nos tornamos cocriadores, participantes da vida. Compreensão essa que despertou na consciência humana no século passado, me conta Caroline Myss.
Mais especificamente, depois que nós, humans, usamos a sabedoria adquirida com a fissura do átomo e a potência da energia nuclear para fabricar uma bomba. Que acessamos uma tecnologia de incrível poder com a intenção de matar e destruir.
( assista esse vídeo em que Robert Oppenheimer, um dos pais da bomba atômica, usa uma frase Bagavadah Gita pra falar sobre sua criação. Diz ele ‘tornei-me a Morte, a Destruidora dos Mundos‘).
Foi assim, de forma monstruosa, sem ética e sem consciência, e com a intenção de destruir a vida em massa, que entramos no que Caroline Myss chama de Era Nuclear. E criamos um avassalador desequilíbrio entre as forças de destruição e de criação de vida. A enormidade desse desequilíbrio e situação passou a nos assombrar. E nos tornamos uma civilização atormentada pela iminência constante da destruição da vida, graças à bomba atômica.
Mas aí entra a vida pra contrabalançar a besteira que a nossa espécie fez, e aciona em modo full o nosso instinto de sobrevivência. Decorrente disso, a partir dos anos 60, vimos surgir e crescer mundo afora os movimentos anti-guerra, pró-vida e também o de expansão de consciência, que nos levaria à busca por autoconhecimento. Veja você, na mesma década em que a nossa espécie chegava à Lua, por aqui começávamos a explorar e descobrir toda a potência do nosso universo interior. Macro e micro sendo estudados, desvendados.
Nessa década revolucionária então acontece a erupção coletiva da consciência que rompe com o status quo, e passamos a dizer não para tudo aquilo que não queríamos mais. Começamos a abandonar o que já não fazia mais sentido. O que não aceitávamos mais em nossa realidade. Realidade que, aliás, passou a ser mais complexa e subjetiva, ao acessarmos também o nosso mundo interior, em nosso psiquismo. Assim, fomos nos tornando multisensoriais,
Tudo ia bem até que, nos idos dos anos 80, fortemente influenciados pela racionalidade neoliberal, nos tornamos reféns desse nosso processo de autoconhecimento e ficamos incrivelmente obcecados por nós mesmos. Por nossos desejos. Pelo eu. A partir de então, o arquétipo do narcisista assumiu o comando.
Presos na sombra do narcisismo e testemunhando relacionamentos e produtos cada vez mais descartáveis e efêmeros – afinal, pra quê, se a finitude bate à porta? – chegamos ao fim do século 20 com uma narrativa absolutamente equivocada. Um exemplo disso é a mentalidade de que o Universo está aqui mera e simplesmente pra satisfazer os MEUS desejos, tipo o gênio da lâmpada, sem sequer pensar no que estou retornando a ele em forma de entrega ao coletivo. Uma coisa muito O Segredo e pouco Dalai Lama.
Mas com a chegada do século 21 as coisas começam a mudar outra vez. E muito mais rápida e exponencialmente. Tanto que, agora, já não temos mais tempo de olhar apenas para nós. O que se torna evidente com a pandemia da Covid-19, onde aprendemos na prática o quanto a consciência de si mesmo como integrante de uma coletividade faz toda a diferença. Um exemplo lindo de quem já faz isso é a empresa Mercur, de Santa Cruz do Sul (RS).
Para Caroline, cujos ensinamentos inspiraram esse post, o momento atual pede que, “com a mesma obsessão que buscamos nossa cura e desenvolvimento pessoal nos últimos anos, olhemos e façamos isso agora com o coletivo”. Com responsabilidade, com ética e compaixão, levando em conta o mundo além do nosso umbigo. A crise climática, ética e moral que ameaça o mundo depende do envolvimento de todos nós. Das escolhas que coletivamente fizermos.
Posto isso tudo, finalizo repetindo meu mantra: só a consciência (coletiva nos) salva.
Imagem: Ryan Franco/Unsplash
