Depois de exatos 541 dias sem postar nenhum texto no LilaVerso lá no Substack, voltei a escrever naquelas bandas.
Comecei contando o que tinha acontecido por aqui durante esse longo-longo hiato.
Falei sobre como andei (e ainda estou) imersa na estruturação do meu negócio, repensando prioridades, lendo mapas astrais, escrevendo o livro novo (sobre a astrologia mulheril), dando aulas, cuidando do coração (literalmente), falando sobre a astrologia mulheril por aí e lidando com a vida, em seus altos e baixos e tudo o que acontece entre os dois.
Contei sobre como a astrologia mulheril cresceu muito em mim e em minha vida. Como essa nova linguagem que usamos para dialogar com a dimensão simbólica (e espiritual) da realidade tem se revelado uma ferramenta de autopercepção, de autoconhecimento, que me faz bem feliz. Ela não só potencializa confiança, poder pessoal, autonomia astral (obrigada, Ju Moura, por cunhar essa expressão), como ainda potencializa a criatividade e a capacidade de imaginar o novo.
Citei como exemplo disso a Imersão Deusas Asteroides, que eu e Juliana Moura (astróloga da minha primeira turma da Formação em Astrologia Mulheril) criamos. Nessa imersão, apresentamos as deusas asteroide Véstia, June, Atenusa e Demi e as narrativas mulheris delas. Ao conhecer, contatar e aprender a se relacionar com essas quatro forças femininas ocultas no mapa, vamos criando novas narrativas internas, que vão fornecendo a estrutura interior necessária para não duvidarmos de nós mesmas e nos bancarmos quando o mundo lá fora diz o contrário.
Falei sobre o quanto a astrologia mulheril também tem ajudado (e muito) a desfazer ideias astrológicas bem equivocadas e fatalistas; e a compreender a astrologia não como uma matemática do destino, mas como um estudo linguístico do céu que nos revela possibilidades de vir a ser. Afinal, essa língua nos faz compreender tanto a natureza nossa, como a de um tempo, e os possíveis convites da vida que se desdobram a partir dessa combinação.
Falando nisso, Ju e eu fizemos três lives de meia hora cada sobre os convites do ano astrológico 2026-2027. Para assistir, só passar no meu perfil no insta. Mas também deixo aqui o link das lives para você conferir nossa prosa sobre os convites desse ciclo/ano Março 2026-Março 2027.
Tudo isso me levou a uma reflexão sobre o tempo e a nossa relação com ele, que vem sendo tema e vivência forte do lado de cá. Eis o que escrevi por lá.
TEMPO, TEMPO, TEMPO
Desde que decidi que era hora de voltar a escrever no LilaVerso, que ainda tenho muito o que compartilhar, a letra da canção Seasons of Love não saia da minha cabeça. Escrita por Jonathan Larson para o musical Rent, ela questiona como medimos o tempo nas nossas vidas e na vida das pessoas.
Como você mede? Mede um ano?
Em luz do dia
Em pôr do sol
Em meia-noites
Em xícaras de café
Em polegadas, em milhas, em risos, em conflitos
Em quinhentos e vinte e cinco mil seiscentos minutos
Como você mede um ano na vida?
Que tal (em) amor?
…
Como você mede a vida de uma mulher ou de um homem?
Nas verdades que ela aprendeu
Ou nos momentos em que ela chorou
Nas pontes que queimou
Ou o jeito que ela morreu
Por que pensei nessa música?
Justamente por me fazer refletir como eu mediria o tempo em que fiquei longe da newsletter. Foram..
541 dias
12.984 horas
779.040 minutos
19 Luas Novas
18 ciclos lunares completos
7 estações
Mas e se eu contasse as batidas do coração, seriam quantas?
Ou as vezes em que eu chorei? Ou as que gargalhei?
As aulas de flow que fiz?
As vezes em que dei remédio para minha mãe?
Ou os filmes que assisti com ela?
Os cursos que fiz? Os livros que li?
As pessoas que perdi? E os nascimentos que celebrei?
Como seria mudar o referencial do tempo? E como se relacionar de boas com ele, o tempo?
Essas perguntas se tornaram frequentes desde o ano passado, quando me aproximei mais e mais de Demi (asteroide Pallas), a deusa cósmica da astrologia mulheril que nos conecta com a circularidade do tempo, com seu ritmo cíclico, e a natureza do fluxo criativo/de criação.
Sou apaixonada pelo simbolismo de Demi, que nos faz compreender que o universo e a vida são tecidos por ciclos de criação-destruição-criação-destruição-criação… Um entendimento que, aliado à terapia, tem me ajudado a lidar com a ansiedade, vem mudando minha relação com o tempo e me fez adotar as fases lunares para definir as datas dos encontros do finado Clube de Astrologia (RIP) e da recém-nascida Dona Astrô, a comunidade mulheril astrológica que acabo de colocar no mundo.
A consciência, o entendimento, que a relação com Demi me trouxe, vem transformando a maneira de me relacionar com o tempo, e me fazendo sentir cada vez mais amiga dele. E ele, um aliado meu.
E como medir o tempo?
Já como medimos o tempo é algo outra deusa cósmica nos fala: Saty (Saturno), astrodeusa com forte presença nesse ano de 2026 – Ju e eu falamos sobre ela na primeira live.
Através de seu simbolismo, ela nos lembra que a vida é finita e que o importante é como vamos viver o tempo que temos nesse planetinha lindo – sou fascinada pela beleza da Terra (como já contei aqui).
Saty simboliza a força que nos convida a ‘caminhar na palavra’, a agir em harmonia com o que falamos e, a partir disso, estruturar nossas vidas. Quando isso não acontece, é a “voz” dela que ouvimos ao nos culparmos ou quando ela faz suas auditorias internas em seus famosos – e temidos por quem não conhece a astrologia mulheril) – períodos de “Retorno”.
Saty tem sido importante nas minhas reflexões depois que passei a testemunhar o declínio de minha mãe nos dois últimos anos. E essa deusa cósmica vem guiando, junto com Demi, a mudança que estou vivendo na minha relação com o tempo.
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Essas palavras da belísssima canção de Caetano Veloso refletem bem como vem sendo minha relação com Demi, Saty e o tempo. E tudo que elas representam em nós.
Posto isso, encerrei a news, feliz da vida por ter voltado a me comunicar por lá também – sou do time que anda sem paciência para o instagram. Uso, por ser uma ferramenta de comunicação necessária no meu trabalho. Mas me sinto muito mais em casa no Subs, como carinhosamente chamo/chamam essa plataforma. Para quem ainda não conhece, recomendo demais e já deixo o convite para assinar minha newsletter e textos por lá. É gratuito.
Até a próxima!
