Feliz 2026, você que me lê auqi no blog. Iniciei a primeira do ano celebrando o dia das astrólogas em 6 de janeito – sim, o fato dos Reis Magos serem sábios conhecedores da mecânica celeste criou a analogia para celebrarmos a data nesse dia. Mas vale registrar que a data não é consenso – em muitos lugares a data é comemorada no equinóico de março, quando inicia o ano novo astrológico.
Sou muito feliz em ser comunicadora do céu, disseminadora do cosmos e dessa cosmopercepção mulheril que vem construindo transformação em corações, mentes, espíritos entre nós. E reencantando a nossa relação com a alma, o mundo e a vida. Sou muito grata a você, por participar desse meu disseminar com sua leitura aqui, e a todas as colegas, referências e mulheres fascinadas, apaixonadas, encantadas por essa linguagem simbólica milenar linda e potente!
Mas aí, chegou a quarta-feira. E, com ela, um tsunami vergonhoso nas redes sociais. Iniciei a manhã acompanhando um show de horrores, de falta de empatia e de respeito em torno da história de uma mulher enganada por mais um golpista cibernético. Vítima de uma tentativa de extorsão, de um golpe, ou de uma fragilidade psíquica capaz de criar uma história rocambolesca, sua história acabou na rede. E as pessoas fizeram o que sempre fazem: escalaram sua exposição.
Deu de tudo: empresas, lojas, universidade, profissionais liberais e influencers lançando campanhas oportunistas, transformando o infortúnio, a tremenda fragilidade emocional e vulnerabilidade psíquica de uma mulher em piada, em meme, em trend. Sem se importar com as consequências que triam na vida dessa mulher e de sua família. O negócio é surfar na onda e ganhar likes engajamentos. Vim a descobrir com Suzana Veiga, minha amiga e professora de História das Mulheres, que fazer isso tem nome: misoginia recreativa.
Num show de horrores lamentável, a imagem do famoso tomou conta da internet. Cada uma delas fazendo referência à história, revitimizando a mulher e formando um tsunami cada vez maior na vida dela e na do filho de 12 anos, que também sentiu os impactos disso tudo. Vi muita dificuldade do pessoal entender a misoginia e o machismo por trás da piada e que, fazer isso, é tão cruel como piada racista e homofóbica. Parece que o fato da vítima ser mulher avalizou o vale tudo, o transformar a violência por ela sofrida em piada, em entretenimento. Em deboche.
Triste, muito triste.
Quem se importa se ela estava emocionalmente vulnerável a ponto de acreditar em algo assim? Quem se importa se ela tem um filho adolescente de 12 anos, que pode sofrer bullying? E, num desfecho trágico, se suicidar. Parece que quase ninguém. Poucas pessoas, pelos comentários que li. Afinal, o problema é só dela, e nada tem a ver com uma sociedade que nos ensina desde a mais tenra infância a acreditar em contos de fadas e na figura do príncipe que te salva dos horrores de uma situação. Ou, como me lembrou a amiga Claudinha, boa parte dos k-dramas tão em voga tem a narrativa do CEO rico que salva a jovem ‘mocinha’ pobre. Aliás, você sabia que os romances românticos campeões de leitura nesse momento são justamente os que trazem uma história de amor entre uma celebridade e uma pessoa comum?
A essa mulher, desejo que encontre acolhimento e amparo emocional, psíquico e mental nesse momento de vulnerabilidade. E seu filho também. E a nós, como sociedade, espero que possamos “trocar o riso fácil pela empatia difícil”, como tão bem colocou meu amigo Glenn Gomes.
Até a próxima!
Imagem: Allec Gomes/Unsplash
