Já falei aqui que a música transcende diferenças e une as pessoas. E me influencia.
E sobre o quanto ela faz parte do meu trabalho de criação, da minha escrita.
Amo escrever com música. E depois, mergulhada em silêncio, fazer a revisão.
Veja a história da Babi, por exemplo.
Cada música que está no livro e na trilha dela no Spotify fez parte da escrita do livro. Está ali porque me acompanhou no teclado, dialogando visceralmente com a minha força criadora e me inspirando na composição e no ritmo em cada etapa da jornada da personagem.
Pois, ontem, isso aconteceu de novo.
Acabei escrevendo o post sobre o Amor Revolucionário ouvindo a música The Ballad Of Peter Pumpkinhead, que eu até conhecia mas não estava nas minhas playlists. Aí, numa sincronicidade incrível, o Spotify acabou selecionando essa canção aleatoriamente pra mim. E ela se tornou o hino do meu post, pois coloquei no repeat e escrevi o texto inteiro só com ela!
Ao encerrar a escrita, eu estava curiosa com detalhes da letra. Até porque não prestava atenção nela enquanto escrevia.
Então, googlei pra conferir e…
Gente, não é que ela conta a a história de um cara revolucionário do bem?
Ético e justo com todos e que, por ser assim, arruma poderosos inimigos? E tem um final não muito feliz.
Me emocionei tanto que chorei visualizando a história – como já me aconteceu tantas vezes, como na vez que me derreti chorando em uma aula de inglês ouvindo Last Kiss do Pearl Jam.
Era janeiro e eu estava a pleno vapor com minhas aulas de Inglês. Tão logo findou o bate-papo inicial, veio a primeira atividade do dia: ouvir uma música, preencher espaços em branco com algumas palavras que faltavam e interpretar o significado da composição. Até aí, nada de novo. Até porque, o som era um daqueles bem conhecidos – e saturados – de tanto tocar nas rádios FM.
No entanto, a medida que meus olhos foram percorrendo cada uma das palavrinhas de “Last Kiss”, do Pearl Jam, fui sentindo um tremendo aperto em minha garganta. Sensação que só aumentava e ficava incontrolável. Com certeza, não foi o tema da música que me deixou tão tocada – ainda que bem comovente, afinal o som fala de um cara que perde o amor da sua vida dando uma banda despretensiosa de carro.
Na verdade, o que me levou às lágrimas – e me fez compor a cena com riqueza de detalhes, tal qual um filme em tela grande – foi a forma como o compositor escolheu e uniu adjetivos, verbos e substantivos. E, claro, somado à letra triiiiiiiiiiiiste da música, o fato da Lua estar em um signo dos mais sensíveis naquele dia. Não deu outra. Cai no maior pranto diante de um constrangido-e-pasmo professor.
Sim, foi um mico. Fazer o que, se sou dessas?
