A última sexta-feira do mês de maio, dia 29/05, marcou um ano que fiz a primeira de uma série de três ablações em meu coraçãozinho entusiasmado – a última delas, 11 dias antes dessa data aí. A propósito, salve a equipe do Dr. Carlos Kalil e de todo o Centro de Arritmias da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Impecáveis.
Foram três ablações no período de um ano.
Três.
O número da magia mulheril que tanto tem me encantado e conduzido meu trabalho na construção do Zodíaco Mulheril. Será isso um sinal?
Mas voltemos ao título dessa publicação.
Vivendo, tenho aprendido na prática que, quando uma ideia como a desta frase brota em mim e me ronda, devo dedicar atenção a ela; que é tempo e momento de “dialogar” com aquilo que está querendo conversar comigo. Então, assim fiz: me dediquei a fazer conexões e associações entre hablar, falar, expressar e o coração. Isso acabou me levando para a astrologia, o solo que eu caminho diariamente. No universo astral, quem rege o coração é Soléi, o sol. E lembrei que, para Platão, aquele filósofo grego que muita gente enche a boca ao citar nas redes sociais, o sol representado pelo deus mitológico Apolo era regente de que signo? Gêmeos, bebê. Não por acaso, o meu signo.
Admito que gosto da ideia de Platão.
Para mim, faz todo o sentido Apolo ser regente de Gêmeos numa cultura patriarcal como a nossa. Primeiro, porque ele representa a razão, a mente, coisas que sempre associamos a este signo. Segundo, porque ele é o maior boca de sacola que existe: foi ele quem passou o serviço para Deméter sobre a negociação política feita pelo todo-poderoso do Olimpo Zeus com Hades por ocasião do desaparecimento de Koré/Perséfone. Ele quem entregou a ela toda a tramoia política de seu irmão e pai da moça. Se Apolo é um fofoqueiro sem noção e, dizem as más línguas, que Gêmeos é o mais falador dos signos, então deu match: o deus Sol estava na sua mais apropriada regência.
Essa combinação acabou sendo alterada séculos depois por questões políticas – ora, quem diria, né? Nosso querido Claudio Ptolomeu, o cara que sistematizou a astrologia como usamos desde o século II no Ocidente, foi quem mudou tudo. Ele reorganizou as regências de forma que agradasse aos anseios dos imperadores romanos, seus chefes à época. Até porque, desconfio eu, se ele não fizesse isso, sua linda cabeça não teria permanecido em cima do pescoço por muito tempo.
Os imperadores romanos eram insanamente malucos pela figura do sol no imaginário e por previsão astrológica. Mais insanos, histéricos e descontrolados do que torcedor de futebol em dia de jogo do time, sabe? Ptolomeu mexeu seus pauzinhos e criou todo uma teoria para embasar a mudança. A propósito, essa treta toda eu conto no livro Reviravolta no Céu. Se você ainda não leu, fica a dica. E aproveita, que, em função do meu aniversário recém feito, posso pedir para o Jorge, da editora Hortelã, dar um desconto amigo de 20% para você. Fala comigo que eu agilizo.
Mas voltemos a hablar e ablar.
Mergulhando na pesquisa do simbolismo dos signos para o Zodíaco Mulheril, me deparo com mais uma conexão valiosa: a carta do Sol do tarot de Marselha. Se prestarmos atenção nela, logo abaixo daquela sol gigante, veremos dois seres humanos dando as mãos e encostando os pés, formando uma conexão entre ambos. Troque as figuras por riscos, por palitinhos, e você terá um rascunho do glifo (símbolo) do signo de Gêmeos.
Como se tudo isso já não fosse o suficiente para mim, lembrei das palavras da incrível Layla Souza, nutricionista materno infantil e acupunturista especialista em Fertilidade e em Medicina Tradicional Chinesa. Na perspectiva da MTC, o coração é a sede da sabedoria, da consciência, da alma e “é considerado a fonte dos processos de pensamento, foco mental de ideias e vontade de realizá-las”, diz Layla.
Some a tudo isso o fato de Soléi (o coraçãozinho, lembra?) estar em Gêmeos (a boca de sacola) no meu mapa astral, e “hablar mais para ablar menos” faz bastante sentido. Se me restava ainda alguma dúvida, a essa altura, a luz (solar) se fez. Ao que tudo indica, é tempo de voltar a colocar para fora o que meu coraçãozinho guarda e o saber que ele anda transbordando, querendo expressar e compartilhar com o mundo.
Por fim, a imagem que abre este texto é de Marah Bashir que obtive no Unsplash.
Um beijo e até o próximo texto!
Lila
