Imagem: Jon Tyson/Unsplash
Essa semana, quero falar dessa mulher que conheci lá em 2020 e, passados dois anos, não canso de admirar.
Uma mulher que me inspira ainda mais hoje, por ser um exemplo vivo de como o afeto revolucionário, o sentir amoroso, mobiliza e faz agir pra combater injustiças.
Eu adoraria prosear e entrevistar a educadora antirracista Jane Elliot, essa geminiana nascida em 1933 que é superenfática, papo reto e espirituosamente ácida.
Assisti dezenas e dezenas de vídeos e entrevistas suas, onde ela aparece vestindo o moleton que estampa a seguinte frase: “preconceito racial é um comprometimento emocional com a ignorância”.
Seu projeto pedagógico antirracista Blue Eyes, Brown Eyes nasceu exatamente um dia após o assassinato de Martin Luther King.
Nesse dia, na sala de aula da sua turma de terceira série numa pequena cidade de Iowa, nos Estados Unidos, Jane dividiu a turma, composta toda ela por alunas e alunos brancos, em dois grupos conforme a cor dos olhos – entre azuis e castanhos.
Feito isso, usando argumentos arbitrários, ela disse que os alunos com olhos castanhos eram melhores do que os de olhos azuis. E fez com que os primeiros colocassem braçadeiras nos segundos.
O que ela observou a seguir foi uma mudança de comportamento em ambos os grupos. A turma rachou e os considerados “superiores” começaram a ser maldosos com os “inferiores”, que passaram a se sentir discriminados.
“Senti vontade de sair da escola. É assim que se sente quando você é discriminado”, relatou um então participante do experimento.
Jane diz que foi chocante como as crianças que normalmente são gentis, cooperativas e amigáveis umas com as outras de repente se tornaram arrogantes, discriminatórias e hostis quando se viram pertencendo a um grupo superior.
Essa ousadia lhe custou ameaças de morte e obrigou Jane, o marido e os filhos a se mudarem de cidade. Mas Jane não parou.
Desde então, seguiu com seu exercício pedagógico e o levou a muitos lugares – inclusive no programa da Oprah. E neles, quase sempre uma mesma cena se repete: as pessoas que ficam no grupo discriminado reclamam até da metodologia, dizendo que é humilhante demais.
Independente de ameaças e pressões, Jane nunca se calou, intimidou ou deixou de usar seu privilégio de ser branca para dar seu recado com veemência e assertividade.
“O ódio e a discriminação que vemos nos adultos têm origem em sua educação. A sociedade os fez acreditar que eram melhores do que outras pessoas por razões arbitrárias, como cor da pele ou gênero”. Por isso, afirma ela, o racismo é um comprometimento com a ignorância.
Dá um google em Jane Elliot, Blue Eyes, Brown Eyes, e confere lá o experimento e entrevistas dessa educadora genial!

