Sou astróloga desde 2004 e, ao longo desses 22 anos de prática, sempre busquei conversar sobre o universo simbólico da astrologia sem fatalismos e com muita ética e respeito.
Respeito por quem me procura, escuta e/ou lê.
Respeito pela história e autonomia das pessoas.
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Isso me levou e leva a fazer escolhas que, muitas vezes, amigas e conselheiras não compreendem. Uma delas, a de não fazer mapas de celebridades e famosos para mostrar como é a minha leitura astrológica. Muita gente me sugere fazer isso…
Simplesmente não consigo. Não flui pra mim. Por quê?
Porque, para mim, leitura de mapa é encontro, é conversa sobre possibilidades e não sobre certezas e destino.
Uma coisa é a possibilidade de como uma conversa planetária, um alinhamento, vai vir a se desdobrar. Outra, como isso de fato acontece e se concretiza, o que depende de contexto e de cultura. Afinal, eles impactam a forma como uma pessoa se relaciona com a sua paisagem interior – aquela que o mapa nos mostra. E isso, meu bem, faz TODA a diferença na forma como ela vai viver, agir, criar, fazer escolhas em sua vida.
Gosto muito do que diz Bia Machado, doutora em Filosofia da Educação, ao falar sobre mapa astral em entrevista ao podcast Vinte Mil Léguas:
“Não é olhando para o mapa de Paris que eu saberei o gosto de um bom croissant. Mapa é possibilidade. O mapa serve para me movimentar na vida e abrir caminhos, para eu perceber que outros caminhos há...”
Concordo.
Foi a partir desse posicionamento e compreensão do mapa que criei a Prosa Astral, um videocast no qual converso com convidadas sobre os mapas astrais delas nos canais LilaVerso no Substack e no Youtube.
A proposta é exatamente essa: falar sobre alguma característica predominante do Mapa da Alma (mapa astral) das minhas convidadas e elas me contam como observam tal aspecto em suas vidas e cotidianos.
Dialogamos de forma descontraída, mas profunda, sobre mapas astrais com quem os vive de fato e como elas sentem os atravessamentos e convites neles indicados. As convidadas falam como vivem e expressam aquilo que está desenhado e é possibilidade no mapa delas.
Estou amando esse formato. Afinal, uno coisas que adoro fazer: entrevistar, astrologar, conversar com amigas e mulheres interessantes e disseminar trabalhos incríveis que uma mulherada genial vem fazendo por aí.
Mas tem um outro tipo de mapa astral que amo fazer, que é mais investigativo e especulativo, que é o de protagonistas e personagens queridinhas da cultura pop e da literatura. Também haverá espaço para esses mapas na Prosa Astral: vou conversar sobre possíveis mapas das nossas queridíssimas com suas fãs. E até já tem o primeiro deles marcado: é o da Monica Geller, de Friends, uma leitura escolhida por votação no meu perfil do instagram no ano passado. E quem conversará comigo sobre o mapa dela é a fotógrafa documental Anne Masala.

E OS FAMOSOS?
Quanto aos mapas de famosos, há apenas duas maneiras que me animam a falar deles. A primeira é quando quero abordar uma música, um personagem que interpretam, um trabalho que reflete diálogos planetários presentes no mapa astral deles. Vi isso ao analisar o possível mapa de Mônica Geller e o de Courteney Cox.
Meu melhor exemplo disso, no entanto, é David Bowie e Freddie Mercury e a música Under Pressure. Nascidos na década de 40, ambos têm em seus mapas astrais a conjunção das astrodeusas (planetas) Dioni (plutão) e Saty (saturno), combinação essa também presente no céu astrológico entre 1981 e 1984, quando a dupla escreveu e deu voz a essa canção. Diálogo esse entre Saty e Dioni que voltou a compor o ritmo céu nos anos de pandemia.
Arquetipicamente, essa combo sinaliza um tempo de intensa e profunda transformação. Uma que pode se manifestar na capacidade de encarar a sombra do mundo sem sucumbir, encontrar formas corajosas de responder e forjar novas estruturas. Outra manifestação é perecer e cair diante do fascismo, da luta por dominação e controle de uns poucos sobre muitos.
Como tinham essa combinação em seus próprios mapas, Bowie e Mercury expressaram com maestria esse sentimento coletivo de opressão diante da dominação e da contração no parto de algo novo e transformador em música. Impossível não prender a respiração e sentir nas entranhas, em cada frase e batida da música, esse sentimento, não é?!
Você nem precisa saber coisa alguma de astrologia para compreender o que significa esse diálogo de Dioni com Saty. Basta dar o play e escutar essa música que imediatamente você sente lhe atravessar a tensão, a intensidade, a contração e o medo que surgem no parto de algo novo que despontam do encontro do caos dionísico com a estrutura e a rigidez saturnina.
Freddie Mercury e David Bowie não fizeram essa música conscientes disso. Claro que não. Eles apenas expressaram o que lhes atravessava, o que sentiam; algo que espelhava um sentimento coletivo e refletia o espírito do momento. É isso que a astrologia com seus planetas e signos faz: ela indica o tempo de alguma coisa na vida nossa e no coletivo.
Tal qual o relógio que não causa a hora, e apenas a indica, assim também é a astrologia: planeta e signos não causam eventos, mas, sim, indicam o tempo, o momento de determinados processos.
Outra forma que já discorri sobre mapas astrais de famosas é analisando o céu de mulheres que publicaram, escreveram, falaram com muita honestidade e amplamente sobre si mesmas e seus momentos de vida. A partir do que elas dizem, os atravessamentos que contam ter vivido, olhamos para os seus mapas e as conversas planetárias neles.
Fiz isso com a maravilhosa Audre Lorde, cujo mapa da alma apresentei no primeiro webnário do Clube de Teoria Feminista Ontem e Hoje e no Festival Audre Lorde da Oitava Feminista. Ao apresentar seu mapa, o mostrei como idioma e linguagem para compreender o que lhe movia, relação e possibilidades para entender o que lhe demandou transformação. E nunca, jamais, como destino e certezas.
Isso é respeito para mim.

Prosa Astral estreou quinta-feira passada nos canais LilaVerso no Substack e no Youtube com uma conversa com Cláudia Mesquita, aquarelista iniciante, gateira, army, professora, engenheira e minha amiga artista. Confere lá o episódio piloto e depois me conta. Vou adorar saber suas impressões!
Bj da Lila!
