Hoje me lembrei do Duas Mulheres Num Sofá, programa que eu e a super duper talentosa jornalista e comunicadora Marla Martins criamos e apresentamos há dois anos atrás. No nosso sofá vermelho, recebemos mulheres sensacionais pra abordar temas que hoje estão mais em voga e são atuais do que nunca, tipo Comunicação Não Violenta, preconceitos ligados a gênero e sexualidade, politicamente correto, consumo (mais) consciente, detox digital.
Pois hoje me perguntei com que mulheres eu gostaria de prosear num Sofá virtual sob o céu pandêmico de 2020?
Logo surgiu uma lista de nomes!
E a primeira delas seria a artista visual Yolanda Dominguez, cujo trabalho vem ampliando muito e bastante meu olhar sobre as questões de gênero. Além de artista visual, essa inquieta é expert em comunicação e gênero. E com seu olhar afiado, ironia e bom humor denuncia com suas ações e intervenções toda forma de violência contra a mulher, e mostra como ainda perpetuamos narrativas pra lá de machistas normalizadas na nossa cultura na publicidade em anúncios, fotos de editoriais de revistas e catálogos de moda. Beeeem interessante.
Quem eu também amaria entrevistar é a educadora Jane Elliot, autora do exercício antiracismo Blue Eyes, Brown Eyes. Essa geminiana de 87 anos é super papo reto, enfática e espirituosamente ácida ao abordar as questões do racismo. O que me fez devorar dezenas e dezenas de videos e entrevistas dela de maio pra cá, onde ela parece quase sempre vestindo um moletom com a seguinte frase: “preconceito é um comprometimento emocional com a ignorância”.
Também adoraria ter nesse Sofá a escritora Chimamanda Adichie, que fez um dos TEDs que eu mais adoro, abordando um assunto mais relevante do que nunca nesses tempos polarizados: o perigo da história única. O risco que há em de associar uma única característica/qualidade a um determinado grupo, povo, país, e defini-lo tão somente por isso. Reduzindo e estereotipando pessoas, comunidades, nações inteiras.
Mas Chimamanda também é uma voz feminista. E que voz!
Ela defende que todos devemos ser feministas. E entenda feminista como “o homem ou a mulher que diz: sim, o gênero como o conhecemos hoje é um problema, e precisamos rever isso, precisamos melhorar”. E eu adoro essa ideia, que parte do princípio que paremos de criar premissas simplesmente em função do gênero. Nessa palestra, que também tem versão em livro digital gratuito na Amazon, ela dá vários exemplos com muito bom humor de como isso acontece. “Imaginem como seríamos mais felizes, como seríamos mais livres pra sermos nós mesmos, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero”, questiona Chamamanda.
Minha lista segue e têm muuuitas outras mulheres. Mas vou encerrá-la por aqui hoje com uma médica e professora universitária da Universidade Federal de Minas Gerais que conheci através do instagram e admiro um monte. Gosto muito da forma com que Sara Paiva une em seu trabalho saúde e autocuidado para a mulher e Mindfulness. E de quebra, leitora voraz que é, também dá dicas de livros ótimos! Adoraria conversar sobre a combinação de consciência & medicina na humanização do atendimento à mulher na saúde pública.
Quantas histórias incríveis pra contar existem por aí!
Quantas ideias e experiências e vivências pra compartilhar e inspirar um mundo melhor pra todos e todas nós, né não? A partir de uma nova narrativa, mais inclusiva, integrativa, integral (que não foi reduzida), holística. Como esses tempos de mudança de paradigma pedem.
Foto de Dan Gold/Unsplash
