Se você já viveu algumas metamorfoses, assim como eu, sabe que a frase aí é uma grande verdade.
Ela também é um fato constatado em pesquisa e compartilhado em um TED anos atrás pelo psicólogo Dan Gilbert, no qual ele afirma que nós, humans, somos seres em contínua construção. Um trabalho em constante andamento. Mas que, equivocadamente, pensamos estar finalizados.
Isso me fez refletir sobre a nossa busca frenética pela ‘melhor’ versão. Algo que, muitas vezes, é entendido como um objetivo, uma meta, um ideal a ser conquistado, uma linha de chegada. Mas se somos um trabalho em constante andamento, não estará a nossa melhor versão sempre mudando também? Evoluindo, conosco?
E se assim é, será que existe uma única melhor versão?
Refletindo aqui e olhando para as minhas metamorfoses, todas fazem muito mais sentido quando penso na vida como uma obra em constante desdobramento, mesmo. Cada etapa fez parte da construção para a versão atual que, com certeza, é a melhor no meu agora. Mas pode não ser mais a seguir, em breve, quando mais mudança acontecer.
Aliás, se tem algo que me frustrou nessa vida foi encarar a melhor versão com uma meta para, ao chegar lá, descobrir que não era nada disso. Aí eu penso: se o próprio universo é uma história em constante evolução e desdobramento, por que que nós seríamos diferentes?
Talvez a dificuldade nos perceber como obras em construção se deva exatamente ao fato de termos sido ensinadas a pensar no universo como algo estático e não como uma história em constante evolução. E termos sido doutrinadas a entender a natureza como algo distinto de nós e a Terra como mero pano de fundo para nossas aventuras, e não como um sistema gerador de vida do qual fazemos parte e dependemos, e que também muda ciclicamente.
Dia desses, escrevi aqui como a Lila de hoje não é a mesma de dois anos atrás, que não era a mesma de dez anos antes – algo que minha carreira super reflete. Na época, enquanto aguardava o lançamento do Sofá, como carinhosamente chamo meu primeiro romance, escrevi sobre minhas muitas metamorfoses ao longo da carreira e da vida. Ao me perguntar o que viria a seguir, disse não fazer a menor ideia. Mas acreditava em alguma nova transformação.
E eu não estava errada.
Dois anos depois, voltei a escrever sobre uma nova metamorfose, vivida sob o céu pandêmico. Uma que me levou a olhar pro mundo a partir de outro ponto de vista, de um lugar diferente daquele que eu estava acostumada a ver e viver a vida inteira. O que ampliou meu olhar, alargou meus horizontes, cambiou profundamente minha cosmovisão e mudou o tom e o rumo da minha prosa e do que quero fazer daqui pra frente. Uma vivência e mais uma evidência de que estramos sempre mudando, mesmo.
Imagem abertura: Lubo Minar/Unsplash
