Não é de hoje que acompanho a arte da artista visual Tati Garcia e testemunhei sua transformação e transbordar, que agora será exposto em São Paulo.
Transbordar é o nome da obra que Tati leva para a exposição Nós Mulheres, na qual 16 artistas visuais abordam o que significa ser mulher no século 21.
Nos quatro volumes que compõem essa sua obra, Tati conta histórias suas e de mulheres da sua vida, e vai tecendo uma bela narrativa sobre as vivências comuns às mulheres na sociedade contemporânea, como invisibilidade, sororidade, insubordinação, coragem, limitações e potencialidades pessoais e coletivas.
– Esse projeto veio muito na hora certa, sabe? A palavra transbordar já estava na minha mente fazia um bom tempo – me conta Tati – Depois dos meus 50 anos, eu comecei a literalmente transbordar. Tinha coisas que já não cabiam mais em mim e eu achei necessário colocar pra fora. Deixar ir embora várias coisas que ficam limitando a gente, né?
Para ela, um dos principais motivos foi o fato de eu ter 4 filhas mulheres.
– Eu comecei a me dar conta da dificuldade que elas estavam enfrentando agora. Quando é com a gente, parece que que a gente não enxerga, né? Simplesmente acha que aquilo ali é natural. No momento em que eu tive minhas filhas, eu fui aprendendo com elas que a coisa não é bem assim.
O projeto também fez Tati ir atrás de histórias, em busca do que as outras mulheres tinham para falar. “Algumas mais sofridas, outras nem tanto, mas sempre nessa luta por uma condição melhor para nós’, me diz. Uma dessas historias pela qual me apaixonei foia a da tia avó da Tati, a Chinoca, como era conhecida.
Quando o noivo lhe deu um ultimato que escolhesse entre ele e o emprego, porque mulher dele não trabalhava, ela não pensou duas vezes. Devolveu a aliança, rasgou a foto do futuro casal e preferiu ficar com seu lado da foto e solo do que mal acompanhada.
Tia Chinoca, me conta Tati, foi quarta mulher a ter CLT no Rio Grande do Sul e viveu feliz para sempre. E virou arte no Transbordar de afetos da Tati.
Com curadoria de Oscar D’Ambrosio, a exposição abre amanhã na Odisseia Casa de Cultura e segue até o dia 30/04.
Sucesso, Tati! Teu Transbordar tá lindo demais, mulher!
