Enquanto escrevia Reviravolta no Céu – uma revisão feminista da astrologia, várias vezes me perguntei quem era eu pra questionar aqueles conceitos astrológicos. E foi lendo mulheres como a historiadora Gerda Lerner e a ensaísta Rebecca Solnit que entendi o quanto isso é ainda resultado da voz do patriarcado dentro de nós.
Essa voz que faz com que questionemos nossa capacidade (intelectual e criativa, principalmente), que nos faz duvidar dos nossos pensamentos e da nossa potência. Essa que também chamamos de síndrome da impostora. Foi no encontro com outras mulheres, como Thaysa Barbosa, Suzana Veiga, as colegas do clube de debates e tantas outras, que fui e venho diminuindo e transmutando essa voz dentro de mim.
Em função dessa vivência, encerrei meu livro com um capítulo falando sobre a dinâmica que é a essência da evolução do próprio universo, como ensina o cosmólogo Brian Swimme e sua História do Universo: a dos encontros. É através dos encontros que nós e todo o universo vamos nos transformando, crescendo, evoluindo!
E mais, ainda!
“É na potência dos encontros, com pequenas ações e muita prosa em nossos grupos e comunidades, dia após dia, que vamos tecendo coletivamente as mudanças em nós, nas nossas comunidades e ao nosso redor, nas mais diversas áreas. Assim vamos construindo a transformação que desejamos ver no mundo”, escrevi no capítulo final.
E é exatamente por isso que, quem se beneficia das opressões que o patriarcado promove dentro das nossas mentes e no mundo aqui fora, sempre vai tentar combater essa força que nós temos juntas, mulheres! E por essa mesmíssima razão somos educadas e criadas na pedagogia do medo, com magistralmente mostra Suzana no post dela de ontem, em seus stories e suas aulas.
Reviravolta no Céu, além de uma revisão feminista da astrologia, também é um manifesto pela autonomia nossa e das nossas vozes, da nossa união, da nossa potência e capacidade que esse sistema chamado patriarcado tenta calar o tempo inteiro. Fora e dentro da gente.
Imagem: Jon Tyson/Unsplash
