Eu tenho uma alegria imensa que Reviravolta no Céu – uma revisão feminista da astrologia foi construído do encontro com muitas mulheres!
Uma delas é a socióloga Thaysa Barbosa, intelectual incrível que me instigou revisitar a história da astrologia com um olhar mais cirúrgico.
Essa intelectual sensacional me explicou que a astrologia, como todo sistema simbólico, deveria ser fruto de um processo de acumulação de vários saberes, concentrados e somados, que vão sendo remodelados e refinados de acordo com a sociedade da época.
– Olhe pra essa sociedade e os movimentos que nela acontecem – orientou Thaysa.
Fiz isso e não deu outra! Bingo!
– Nada é criado por acaso e sempre há uma proposta por trás de qualquer dogma, sistema e instituição. Toda a construção cultural é ideologia. E toda a narrativa tem uma proposta de manutenção social ou de revolução – disse Thay.
Quanto mais eu pesquisava, mais clara ficava essa relação entre a narrativa astrológica e a proposta de manutenção das sociedades patriarcais e seus valores, como mostro no capítulo “a treta patriarcal na astrologia”, que você pode fazer download e degustar esse drops do livro.
A mentoria que fiz com Thaysa foi decisiva na escrita do capítulo, no qual falo como o patriarcado foi lapidando esse saber tão lindo e potente.
Cirúrgica em seus apontamentos, Thaysa também me fez pensar e buscar em que momento a astrologia deixou de ser uma narrativa de sustentação do poder e se tornou bobagem, inferior e não científica. E, assim, se tornou e se popularizou como “coisa de mulher”, reforçando ainda mais a hierarquização dos gêneros.
Foi também através da Thay que eu acessei a grande reviravolta do céu que narro no livro. Foi ela quem me enviou o link que me levaria a fazer todas as conexões e propor um novo olhar para a astrologia com a perspectiva da nova cosmologia.
Outra mulher sensacional e colega de cursos feministas que ajudou foi a historiadora Mariane Pizarro.
Através dela, conheci Ivone Gebara, mulher de voz potente cujas ideias impactaram minha visão do universo simbólico e me ajudaram a propor essa reviravolta no céu com convicção.
Assistindo uma live da Suzana (Veiga) com a Mari, eu conheci Ivone, teóloga ecofeminista e doutora em Filosofia. Mal acabou o encontro e eu já estava escrevendo para a minha colega de cluster feminista. E a Mari foi um amor! Me sugeriu livros de Ivone e pesquisas sobra a obra dela.
E que contribuição foi essa!
Devorei as palavras dessa mulher genial em livros e entrevistas, as quais pavimentaram meu caminho nessa pesquisa. Na obra de Ivone, encontrei validação para as ideias que me atravessavam, praquilo que eu sentia em relação ao universo simbólico e aos arquétipos.
Diz Ivone que, como nosso imaginário foi colonizado pela poderosa simbologia e hierarquia construída pelo patriarcado nos mitos, na religião, “é essencial mudarmos a Geografia simbólica que herdamos do patriarcado”.
E mais: que isso é possível, sim! Afinal, assim como a dimensão humana é mutável, os arquétipos e os mitos “devem e podem mudar”.
Uau! Exultei ao ler essa passagem do livro O que é Teologia Feminista e com essa obra, na qual Ivone faz na teologia exatamente a mesma coisa que eu vinha fazendo com a astrologia: questionando as narrativas e propondo nova visão sobre e reformulação das histórias (equivocadas) que nos contaram a vida inteira!⚡️
Agora, quero muito que o livro chegue às mãos dela, com toda a minha gratidão pela potência de sua voz e de sua práxis.
Obrigada, Mari, por ter me aprestado para a obra e o pensamento dessa mulher maravilhosa que é Ivone Gebara. E gracias, Thaysa, por ter me instigado e ensinado tanto!
Reviravolta o Céu será lançado dia 11 de abril e a pré-venda já começou, com uma recompensa deliciosa e incrível pra quem comprar nesse período. Confere lá!
