Eram tempos pandêmicos. O ano, 2020.
Naquela manhã de sábado, eu faria minha primeira participação numa aula ao vivo online, com um escritor cujo texto sou grande fã.
Tomei café mais tarde e me distrai com alguma coisa no instagram. Quando vi, já era hora da aula! E eu ainda precisava trocar a roupa (de cima, ao menos), retirar o lixo das lixeiras e colocá-lo no descarte do prédio, que seria recolhido naquela manhã também.
Foi uma correria doida! Mas consegui dar um tapinha no visual e sentar na frente do celular e abrir a câmera a tempo.
Sorri o tempo inteiro, feliz da vida! E até fiz uma intervenção, animada quando fui solicitada.
Noventa minutos depois, acabada a aula, vou ao banheiro fazer um xixi amigo. Ao lavar as mãos em frente ao espelho, sorrio pra mim mesma, satisfeita com tudo que ouvir na aula tão legal. E arregalo olhos e gemo desolada com o que vejo!
Um belo resquício da omelete do café da manhã, muito bem instalado entre os dentes da frente, que eu não tivera tempo de escovar antes da dita aula, colorindo o meu sorriso.
Queria que o chão se abrisse pra eu me enfiar num buraco e ali ficar, tamanha vergonha. Eu acabara de ficar uma hora e meia sorrindo com aquele intruso indesejado ali.
A essa altura, eu achava que não poderia ficar pior a vergonha… Então, lembrei que a aula havia sido gravada e seria disponibilizada para os demais alunos da turma. Gemi, pesarosa. E como não havia mais o que fazer, tornei o fato um causo. E nunca mais acessei a aula e o curso.
