Iniciei 2020 com a proposta de fazer tudo diferente.
Alquimiar. Transformar. Dentro e fora.
E reclamar menos, bem menos. O que me levou ao Desafio Mindfulness no Pacífico Instituto em Porto Alegre.
De cara já entendi que Mindfulness é tipo treinamento Jedi.
Precisa praticar.
Treinar.
Sempre olhando pra dentro da gente.
Para o que está acontecendo no corpo. Aqui e agora.
Pra despertar o bem-estar e a leveza em nós.
Pra isso, recebo orientações teóricas embasadas em ciências contemplativas e inteligência emocional, e práticas de meditação. Uma combinação que vai me tornando capaz de observar e conhecer melhor meus conteúdos interiores – as emoções, sentimentos, e pensamentos que despontam dentro de mim no momento em que para pra observá-los.
Ou seja, quando a mente está no mesmíssimo lugar, aqui e agora, onde está o corpo.
A prática de Mindfulness está me fazendo desenvolver essa capacidade aí de estar presente.
De colocar toda a minha atenção e foco no agora, no que meu corpo sinaliza, nos insights que esse momento desperta em mim e no que pode me oferecer.
Como faço isso?
Olhando e observando pro que ocupa minha atenção sem crítica ou pré-conceitos que me levam pro passado. Sem expectativas que me jogam pro futuro. Apenas com bondade e curiosidade.
Mas o que é olhar com bondade e curiosidade?
É uma atitude. Uma escolha. De olhar para o que acontece com bondade, a saber sem julgamentos, críticas ou reatividade, e sim com aceitação, gentileza, respeito. Comigo mesma, com os outros, e com o meio. E olhar com curiosidade é se aproximar sem expectativa alguma, com abertura e interessado no que o momento presente tem a me oferecer, nas informações internas que podem despertar insights e me ajudar, ensinar.
E não é que essa maneira de analisar faz a diferença, mesmo?
Aham!
Depois de duas semanas de prática, posso afirmar isso. Já percebo mudanças sutis em mim – vem diminuindo a reclamação e vão me deixando resquícios de qualquer vitimismo que ainda me habitasse.
Mas o mais legal mesmo é ver que, com essa prática, estou cumprindo um dos meus acordos com 2020: o de fazer o que me cabe, a minha parte, pra construir um mundo mais gentil e fraterno. O mundo que tanto almejo ver e viver.
E que vou ajudar a construir, coCriar, com a prática de estar presente com esse olhar de bondade e curiosidade do Mindfulness.
Sim! Muito se fala que a paz no mundo nasce em nós. Na verdade, ela nasce dos sentimentos, emoções, entendimentos, pensamentos, enfim, dos conteúdos que cultivamos dentro de nós e que definem nossas escolhas e atitudes.
Logo, a paz é resultado da persistência e da vontade em cultivar a bondade, a curiosidade, o respeito e esse time de sentimentos dentro da gente, pra começar. Pra assim lidar melhor e neutralizar o dark side em nós, que animamos e alimentamos com raiva, ódio, medo, insegurança. E que, ao retroalimentarmos em nós, escala no mundo. Exatamente como mestre Yoda ensinou pro Luke Skywalker no treinamento Jedi. 🙂
Todos temos um dark side. Está no nosso modelo de fábrica. Viemos assim. E alimentamos o Dark Side sempre que devolvemos na mesma moeda o ódio e a raiva que o mundo externo nos atinge e desperta em nós. Sentir é normal, e passa. O que não é legal é cultivar esses (res)sentimentos internamente, ou agir tomado por eles. Aliás, sempre é bom lembrar que foi por alimentar a raiva e a insegurança a partir do medo que Anakin Skywalker se tornou Darth Vader.
O Dark Side é forte. Sedutor. Esperto.
Mas a Força Jedi é mais, ensinou mestre Yoda! Mas requer treinamento.
E aí entra o Mindfulness, com suas práticas que nos fazem cultivar valores essenciais à paz interior, e que nos ajudam a reconhecer o Dark Side e afastá-lo do comando.
E sabe o que mais me chamou a atenção até aqui?
Perceber que a paz não tem nada de passividade!
Já reparou nisso?
Que paz requer ação. Força de vontade. E muita prática! Prática de cultivar conteúdos interiores que fazem crescer a bondade, a curiosidade, o respeito, o amor, a Força dentro de cada um de nós.
Imagem de abertura: Eyerlein/Unplash
