Hoje é dia de laços por aqui. De enfraquecer esse sistema chamado patriarcado, falando de outras mulheres que vêm ousando pensar e fazer diferente e que têm conduzido trabalhos revolucionários em suas áreas.
Tenho convivido com tantas mulheres que estão propondo mudanças e outras formas de se relacionar com assuntos e temas que nos são preciosos e essenciais.
Uma delas é a Tatiana Soares, que vem propondo uma revolução na forma de nos relacionarmos com a alma, com a espiritualidade. Tati tem sido incansável no trabalho de propor autonomia espiritual. “Eu não estou a serviço da experiência espiritual do outro. Cada um tem a sua. Acho que isso redimensiona demais a nossa relação com o sagrado”.
Que mudança de paradigma, hein?
Pra mim, faz todo o sentido. Mais ainda sabendo que todas as religiões se baseiam na hierarquização de poder proposta pelos patriarcas de que alguns poucos homens têm poder sobre muitos outros e sobre todas as mulheres. Algo que intelectuais maravilhosas como a socióloga Thaysa Barbosa e a filósofa e teóloga ecofeminista Ivone Gebara nos mostram.
Quem também vem revolucionado em sua área é a educadora física Carol Pogliessi. A maneira como ela propõe que nos relacionarmos com nosso corpo é tão potente!
Para Carol, o corpo não é uma máquina que deve ser aperfeiçoada a qualquer custo. Nada disso. Longe disso. Carol nos convida a perceber o corpo e sua sabedoria e, a partir dessa percepção, modular os movimentos (e cada exercício) conforme o ritmo e a intensidade que ele, o corpo, propõe.
Isso vai criando uma intimidade linda com os ritmos do nosso organismo no momento. Não porque nos é dito que deve se assim ou assado devido a uma influência externa, mas porque sentimos e nos sintonizamos com cada um deles. Para mim, tem sido entrega, autoconsciência e transformação na maneira como me relaciono com meu corpo, que tem sido muito mais gentil.
Além disso, devolve autonomia pra nós e uma relação mais harmoniosa e prazerosa com o corpo que estou adorando!
Por fim, Suzana Veiga, essa pensadora e educadora maravilhosa já bem conhecida por aqui, vem instigando reflexão e propondo revolução na forma como existimos e habitamos as cidades, as escolas, as instituições sociais.
Toda vez que rolo o feed, fico pensando na enormidade da mudança que estamos atravessando. Em todas as áreas da vida. E o quanto a forma como ela vai se desdobrar, se vamos migrar para um modo de conviver mais justo e gentil ou ainda mais injusto e cruel, depende da nossa própria mudança de paradigma. Da nossa transformação.
Pois a forma como essas mulheres sobre as quais escrevo têm impactado outras tantas me faz acreditar que juntas, criando redes e tecendo laços, podemos construir essa forma bem mais gentil e cooperativa de (con)viver e habitar esse mundão. Como comunidade.
