Sou chamada de inventadeira por minha família desde a infância.
Um par de ano atrás, numa conversa com meu tio sociólogo Sul Brasil Rodrigues, ele me contou que a inventadeira é das nossa raízes culturais. Disse ele:
“A inventadeira desequilibra um contexto. Faz uma tentativa de mudança do status quo em muitos sentidos”.
Posto isso, ele pediu que eu ampliasse essa ideia, o que fiz no texto que agora compartilho com você.
A inventadeira é movida pela paixão por criar conexões inusitadas. Por fazer diferente e testar novas ideias.
Curiosa que é, tem um caso intenso com o experimental.
Para ela, tão imprescindível quanto o ar que respira, é experimentar o novo!
Por isso, ela desafia o status quo, rompe com moldes e descarta padrões e modelos sem receios.
Inquieta e criativa, ela jamais se conforma com mais do mesmo.
Um bom exemplo de inventadeira na ficção é a personagem Clara Luz, a protagonista de A Fada que Tinha Ideias, da autora Fernanda Lopes de Almeida, e um dos meus livros prediletos na vida.

Nada conformada em seguir as regras descritas no Livro de Mágicas, ela não aceita que lhe digam “sempre foi assim”,e nem que ela precisa seguir as ideias e mágicas emboloradas do dito cujo livro.
Clara Luz tem ideias mirabolantes e quer fazer diferente!
Quer inventar suas próprias mágicas!
Quer experimentar.
E assim ela faz.
Cria bolinhos de luz e chuva colorida!
Inventa brincadeiras como escorregar no arco-íris e modelar as nuvens no céu!
Movida por sua curiosidade, Clara Luz inova.
(não por caso, mas absoluta sincronicidade, dei vida à Clara Luz nos tempos de teatro no colégio e palco na escola. Se me identifiquei? Demais!)
Essa fadinha é uma revolucionária e me lembra muito Thea, mulher ancestral da astrologia mulheril sobre a qual falei nessa news aqui.
Essa fada inventadeira também me faz pensar no que seria do mundo sem as inquietas, as inconformadas com a realidade e com o mais do mesmo?
Sem as inventoras, cientistas e pesquisadoras?
Sem as ousadas sonhadoras de novas realidades?
Mulheres como Katherine Johnson, Dorothy Vaughn, Mary Jackson, Margareth Burbidge, Nise da Silveira, Marielle Franco, Jane Elliot, Vandana Shiva, Suzette Haden Elgin e tantas outras!
Por isso, se assim como eu, você tem esse espírito inquieto, é uma inventadeira e não aceita o clássico sempre foi assim como resposta, a prosa aqui é com você hoje.
Não desanime diante das críticas e repreensões na próxima vez que você tiver uma ideia nada convencional e diferentona.
Assista filmes como Estrelas além do Tempo.
Leia Marília Rizzon! (hehehe)
Leia histórias e trajetórias de mulheres incríveis!
Lembre delas e inspire-se! Tente. Experimente.
E, assim como elas, comprometa-se com a sua ideia.
Assuma responsabilidade e invista nela.
Dedique tempo, energia e amor.
Faça isso por você e pelo mundo, que hoje precisa cada vez mais de pessoas que não se conformam com a realidade nada razoável, que não toleram o intolerável, o conforto desconfortável, a justiça que é injusta – e que já permitiu atrocidades como a escravidão, o extermínio nos campos de concentração e o genocídio de povos inteiros.
Invista na sua ideia com consciência respeito e amorosidade. Com humanidade. Tal qual fez a física Lise Meitner, autora da descoberta da fissão nuclear que recusou participar do projeto Manhattan, que criaria a bomba atômica lançada sobre Hiroshima.
“Aqueles abençoados com uma mente brilhante e um dom para a ciência têm um dever maior que vem antes da descoberta, um dever para com a humanidade. A ciência pode ser usada para o bem ou para o mal; então, cabe aos cientistas garantir que seu trabalho torne o mundo um lugar melhor,” escreveu Lise, já no final de sua vida, numa carta que nunca chegou a ser enviada e que foi tornada pública por seu sobrinho.
Dessa forma, você estará inventando para o bem de todo mundo.
Para fazer daqui um lugar melhor para todas e todos nós.

HISTÓRIAS DE MULHERES
Toda essa prosa aqui me fez lembra da série de livros Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, que traz perfis de mulheres que impactaram e ajudaram a mudar a realidade de alguma maneira.
Outro livro é Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil. Além de conhecer brasileiras revolucionárias que impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, a obra traz retratos de cada uma delas – todos eles feitos por artistas brasileiras.

A ESTREIA DE UMA CRIAÇÃO!
Na próxima segunda-feira, dia 19, estreia meu curso astrológico Mundo adentro, Céu afora. Nele, vou apresentar a astrologia mulheril e o mapa astral como uma roda de mulheres ancestrais.
Ver esse projeto nascer me deixou entusiasmada e inspirou a escrita da news de hoje. Foi um processo de cinco anos de inquietação e três de horas e mais horas de trabalho criativo e intelectual.
Nessa construção, eu também encontrei meu lugar.
Unindo os fios de toda a minha trajetória, teci o lilaverso, esse lugar feito de histórias, ideias, reflexões, causos, trocas de conhecimento e saberes para quem é inquieta, revolucionária, criativa e inventadeira como eu.

