um poema de Fran Winant
Coma arroz, tenha fé nas mulheres
O que eu não sei
Eu ainda posso aprender
Se estou sozinha agora
Estarei com elas mais tarde
Se estou fraca agora
Posso me tornar forte
Lentamente, lentamente
Se aprender, posso ensinar as outras
Se as outras aprenderem antes
Eu devo acreditar
Que elas voltarão e me ensinarão
Elas não vão embora do país com seu conhecimento
E me enviarão uma carta em algum momento
Devemos estudar todas as nossas vidas
Mulheres vindas de mulheres
Indo para mulheres
Tentando fazer tudo que pudermos
Com as palavras
Em seguida, tentar trabalhar com as ferramentas
Ou com nossos corpos
Tentando ficar o tempo que for preciso
Lendo livros quando não há professores
Ou quando eles estão muito distantes
Ensinando a nós mesmas
Imaginando outras lutando
Devo acreditar que nós estaremos juntas
E construir confiança o suficiente
Para que quando eu precise lutar sozinha
Eu saiba que há irmãs que
Ajudariam se soubessem
Irmãs que viriam
Para me apoiar mais tarde
Mulheres exigindo liberdade
Cada uma com suas necessidades
Nossa vida completamente dilacerada
Pela velha sociedade
Nunca nos dando amor ou trabalho
Ou força ou segurança ou informação
Que nos poderia ser útil
Nunca ajudadas pelas Instituições
Que nos aprisionam
Quando precisamos de cuidados médicos
Somos abatidas
Quando precisamos da polícia
Somos insultadas e ignoradas
Quando precisamos de pais e mães
Encontramos robôs
Treinados para nos manter em nossos lugares
Quando precisamos de trabalho
Nos dizem para nos tornarmos parte do sistema que nos destrói
Alimento que nutre
Remédio que cura
Canções que nos lembram de nós mesmas
E nos fazem querer continuar com o que importa para nós
Vamos sair de novo
Encontrando as mulheres que saem pela primeira vez
Sabendo que esse amor faz uma boa diferença em nós
Afirmando uma vida contínua com mulheres
Devemos ser amantes, médicas, soldadas
Artistas, mecânicas, agricultoras
Todas em nossas vidas
Ondas de mulheres
Tremendo de amor e de raiva
Cantando, nós devemos enfurecer
Beijando, virar e quebrar a velha sociedade
Sem nos tornarmos os nomes que elogiam
As mentes que pagam
Coma arroz, tenha fé nas mulheres
O que eu não sei agora
Ainda posso aprender
Lentamente, lentamente
Seu eu aprender posso ensinar as outras
Se as outras aprendem antes
Eu devo acreditar
Que elas voltarão e me ensinarão

Conheci esse poema de Fran Winant, que é icônico entre nós, mulheres feministas, através de Suzana Veiga, em julho de 2021, ao final do curso Introdução à História das Mulheres.
Curiosa, eu quis saber mais sobre essa mulher.
Nesse artigo da antropóloga Ruth Petti, fiquei sabendo que, desde criança, Fran Winant mostrou talento precoce para escrever e desenhar.
“Winant tinha uma afinidade natural com as convicções que impulsionavam os esforços de conscientização gay e feminista dos anos 1970. Escrevia poesia desde a infância, mas não conseguia compartilhar seus mais profundos desejos. Para expressar seus sentimentos sobre as mulheres e evitar que seus colegas de classe os descobrissem, ela inventou uma linguagem secreta, que (ela) descreve como “uma metáfora para uma linguagem interna do que não é dito socialmente”. O novo fervor político dos anos 1970 proporcionou uma oportunidade há muito esperada para Winant falar”.

Conta Ruth Pettis que essa mistura de símbolos que compõe a linguagem secreta de Fran é trabalhada com frequência nos fundos das pinturas da artista. Através de sua poesia e arte visual, Fran Winant ajudou a definir o papel e a sensibilidade de lésbicas nos contextos do movimento gay e do feminismo radical na década de 1970.
