Recebi e-mail de uma leitora que está atravessando um momento de mudanças bem difíceis e a ela dedico essa news aqui.
Suas palavras me fizeram lembrar de todas as situações de transformação das quais fui protagonista. Momentos de mudança intensos que me desafiaram, provocaram, me tornaram liquefeita dentro do casulo das mudanças e metamorfoses inerentes ao viver.
Não dizem que a mudança é a única constante na vida?
Pois então…
Muitas vezes, imersos no turbilhão de sentimentos que nos atravessam nesses períodos, sem ter distanciamento suficiente, não conseguimos ver com clareza o delicado desenho que os acontecimentos vão tramando. E é difícil lembrar que a vida tem lá sua sabedoria. Talvez o nosso problema com a mudança seja o fato de querer evitá-la ou impedi-la (muitas vezes, a qualquer custo) quando ela se anuncia.
Infelizmente, ainda temos talhada em nós a ideia equivocada de que somos seres finalizados, sem muito a nos transformar, quando, na verdade, somos histórias em construção permanente; processos em desdobramento contínuo. Assim como o céu e a natureza em nosso entorno mudam todos os dias, um pouco por vez, nós também. Mas parece que não nos damos conta disso. E haja investimento pra impedir o fluxo natural da vida.
Ainda que seja difícil compreender qualquer coisa quando nos sentimos dragadas assim, quando tudo parece estar desmoronando, tal qual a carta da Torre no Tarô, sem cultivar a capacidade de imaginar e de nutrir nosso mundo interior, e assim cultivar a esperança, essa força profunda em nós que nos dá a capacidade de transcender obstáculos e provações, a situação só tende a piorar – como já contei nessa outra news.
Se tem algo que aprendi nas reviravoltas e nos reveses mais complicadas é que, além dos musgos, o fundo do poço pode ter um possível alçapão pra descer mais um pouco (sim, isso é possível, já estive lá). E que, se perdermos a capacidade de esperançar, só piora. Se a esperança é muito bem-vinda em tempos de calmaria, é supernecessária em meio a turbulências, para não nos deixa desistir de nós mesmas e nem desacreditar naquilo que é essencial e traz sentido para a alma.
Por isso, querida leitora, cultivar a esperança é necessário. E isso parece passar pela nossa capacidade de sonhar, de imaginar e de aldear (como diz a amiga Nádia Lopes). Ter amigas, afetos, pessoas que segurem nossas mãos faz toda a diferença para atravessarmos períodos como esse e para ajudar a cultivar a esperança quando tudo parece ruir. Aliás, uma das coisas que curto muito no romance Num Sofá de Bolinhas foi ter escrito amizades assim na vida da Babi, que estão sempre ali pra ela.
Foi isso que eu aprendi e desejo que você encontre, querida leitora, mãos que te segurem e amparem e ajudem a cultivar essa força profunda chamada esperança. Sem com ela já não é fácil, sem ela fica tudo muito mais pesado e triste.
