Zapeando numa noite dessas, me deparei com o filme Barbie e aproveitei para assisti-lo. Estava curiosa, depois de tudo que já fora dito sobre ele. Achei algumas coisas mais do mesmo, mas também encontrei sacadas geniais da diretora Greta Gerwig.
Curti bastante. Além de um filme gostoso de assistir, rendeu muito alimento para o pensamento. Explico.
Por exemplo, achei interessantíssima a caminhada proposta por Greta para sua Barbie Estereotipada, que deseja abandonar a vida na caixa para viver a experiência de ser humana – com todas as imperfeições estéticas e a montanha russa de sentimentos que isso implica, magnificamente interpretada por Margot Robbie.
Quando os problemas que perturbam a normalidade da vida da Barbie irrompem, ela só quer que tudo volte a ser como era antes – quem nunca, né? Mas aí, à medida que ela vai vivendo e absorvendo as experiências que nos fazem humanas, e começa a entender o mundo e a vida com novas lentes, ela começa a mudar sua consciência. E sente que já não cabe mais nos sapatos da boneca que foi um dia.

Essa jornada da Barbie em busca da humanidade, da imperfeição, me fez refletir demais no quanto, aqui na realidade, parece haver um movimento em sentido contrário ao dela. Temos visto tantas mulheres buscando uma perfeição (quase irreal) imposta por toda uma cultura, que só faz aprisionar a mulher numa caixa de padrões.
Vemos isso nas imagens padronizadas que pipocam nas redes, na busca por procedimentos estéticos que deixem as peles lisas, livres de celulite, estrias, rugas e quaisquer marcas. Na busca por sorrisos superbrancos, cheios de dentes perfeitos, peitos empinados e siliconados, clareamento de ppks, nas 1001 dietas e tratamentos oferecidos e por aí vai.
Enquanto Barbie foge da caixa no filme, parece que aqui, na realidade, mais e mais mulheres têm se colocado dentro dela. E sabemos muito bem quem criou essa caixa que nos condiciona com seus padrões de comportamento e beleza, né? Não li nenhuma entrevista da diretora e não sei se essa era a sua intenção, mas o filme me fez pensar muito nisso tudo.
Por fim, influenciada pelo que venho compartilhando na astrologia mulheril, a busca da Barbie por ser humana também me fez pensar numa reconexão nossa com a natureza cíclica do universo e da vida, com a consciência da finitude e a aceitação dela. Achei genial.
Talvez Barbie tenha sido desprezada pela academia e seu Oscar não por sua qualidade técnica, mas pela ameaça que a transformação da boneca representa ao status quo patriarcal que domina o mundo simbólico e suas narrativas. Afinal, não é um grupo de patriarcas poderosos que manda em Hollywood e sua indústria? Pois então…
Como eu sempre digo, se mudamos as lentes pelas quais entendemos e percebemos a nossa existência no mundo (ou seja, o nosso paradigma), muda a consciência, mudamos nós e a maneira como nos relacionamos com nós mesmas, com os outros, com os demais seres, com a vida.
