Tenho dito que precisamos (e muito) de novas histórias e recontar mitos se queremos comportamentos e atitudes mais justas e menos violentas para com as mulheres no mundo. E isso me faz pensar em Thor, Amor e Trovão, que assisti recentemente.
Adorei a versão Thor mais consciência século 21 que o filme traz. Um Thor mais empático, que leva em consideração os sentimentos dos outros e é capaz de trocar vingança por amor compassivo. Precisamos tanto de novos modelos de masculinidade no mundo.
Também achei ótima a queda do Zeus vaidoso, egoísta, rancoroso, vingativo e narcisista de Russell Crowe, que é o retrato do que deve ser deixado pra trás. O líder que só se preocupa com sua galera e seus privilégios. Por isso, achei ótimo vê-lo ser literalmente abatido pelo novo Thor e suas duas parceiras de batalha.
Falando nelas, também curti muito gigantesca estátua da Poderosa Thor erguida (e reverenciada) em espaço nobre de Nova Asgard. Afinal, estátuas de mulheres nos espaços urbanos é algo tão raro de se ver…
Também gostei da participação da Poderosa Thor na batalha final – não só na luta, mas nas escolhas feitas. Bem interessante.
É através dessas pequenas sutilezas na trama de uma história que vamos plantando as sementes de um novo possível nas nossas mentes e corações.
Por fim, ADOREI o match perfeito entre as aventuras do deus do trovão e da Poderosa Thor com a trilha de Guns and Roses. E fiquei viajando e me perguntando se Joan Jette e banda funcionariam também. Será?!
Depois de comentar as aventuras e desventuras desse Thor em uma rede social, eis que me deparo com algo que já vi antes: o quanto essas novas versões provocam indignação naquelas pessoas que não querem ver o mundo mudar.
Ariel negra? Não, nem pensar, bradam. A ode ao status quo militarista hegemônico de Maverick? Yeah!! Aplaudem em êxtase, porque não tem a ‘lacração’ que a Marvel vem fazendo.
Lacração? Sério?! Por todo o panteão das deusas, basta sair um pouquinho do clichê e a galera já diz que é lacração?
Chamar de lacração esse tipo de narrativa me soa muito mais como resistência a medo de que o mundo de fato mude, as posições se alterem e essas pessoas percam uma estrutura que lhes garante alguns privilégios – como não ser assassinado por ser negro ou sofrer violência por ser mulher. Um mundo sem hierarquias e menos diferença nunca é bom pra quem se beneficia e lucra com a existência dela.
Eis porque precisamos tanto de novas histórias com olhar de século 21: para mudarmos consciência, comportamentos e atitudes que já não cabem mais na nossa realidade.
Imagem: Justine ft/Unsplash
