Imagem: Jon Tyson/Unsplash
Ele era tão obcecado por espalhar seu sêmen e mostrar toda a pujança da sua semente que jamais aceitava um não como resposta. Quando colocava o olho e a gula em uma beldade, uma mulher bonita, ele “sentia-se obrigado a possuí-la. Não interessava se ela fosse deusa, plebeia, casada, solteira, se quisesse ou não”.
De quem Arielle Guttman e Kenneth Johnson, autores de Astrologia e Mitologia, estão falando:
a) Daniel Alves
b) Zeus
c) Harvey Weinstein
d) Dominique Strauss-Kahn (ex chefe do FMI)
e) Todas as alternativas acima
A dupla fala sobre o mito de Zeus, uma narrativa bem tóxica ao olhar e consciência do século 21. Mas a situação se aplica a todos os nomes citados acima.
Perpetuado e romantizado no nosso universo simbólico, esse mito segue sendo reproduzido diariamente na nossa realidade em diferentes versões. Um exemplo é o caso do jogador Daniel Alves.
Daniel se achou o próprio Zeus, soberano no falso Olimpo do cercadinho vip da boate, querendo espalhar seu sêmen área vip afora. Ao melhor estilo Zeus, botou o olho na beldade e fez de tudo até possui-la, inclusive ignorando o não da mulher, no momento em que ele ocorreu. Sentiu-se obrigado e no direito de possuir a mulher e jorrar seu sêmen nela.
Fez valer e confiou na sua condição de rei, nesse reinado que a fama, o sistema que protege os Brothers do clube e o dinheiro que compra silêncios e advogados influentes de ética questionável lhe garantem impunidade.
Pra poder mudar o mundo é preciso minar por dentro o Clube dos Brothers, como chamo o sistema patriarcal que governa a sociedade e o mundo ocidental com suas leis e mitologias. Tal qual Luke Sywalker fez com a Estrela da Morte em Star Wars/Guerra nas Estrelas.
E isso a gente só faz implodindo as histórias e mitos que perpetuam essas ideias dentro de nós e na cultura do mundo. E contando novas histórias, como já tenho visto por aí. O que eu venho fazendo também na astrologia. Até porque o momento do céu é um convite e prato cheio pra questionar e desafiar histórias bem patriarcais que o Clube dos Brothers, com suas leis e mitologias, nos conta desde sempre.
Outra historinha do Clube que se repete sempre estamos vendo a defesa do jogador Daniel Alves performar o roteiro.
Disse seu advogado de defesa que, após analisar sete horas de gravação das câmeras de vídeo da boate, a defesa do jogador Daniel Alves tem plena certeza de que não foi estupro o que aconteceu. Nananinanão!
E mais: para ele, a jovem entrou por vontade própria no tal banheiro dois minutos depois do jogador.
A gente, que já viu esse filme antes, sabe o que vem a seguir: “fatos” que abalem a reputação da vítima e fotos “sensuais” serão divulgadas.
A propósito é um só: plantar a semente da dúvida sobre a palavra da mulher, desqualificando seu o comportamento. É com isso que joga a defesa de Daniel Alves: desqualificar a mulher, fazer com que o comportamento dela seja questionado e, com isso, sua palavra, sua voz, sua versão, sejam desacreditadas.
Infelizmente, esse roteiro vil e nojento usado pelo Clube dos Brothers quase nunca falha. Mari Ferrer que o diga, pois sentiu na pele essa violência. A mulher sempre é a culpada, até que se prove o contrário – quem assistiu a séries como Anatomia de um Escândalo também viu isso.
Sabe o que nunca é questionado nisso tudo?
O comportamento do homem, do agressor, do estuprador. Nada se fala sobre ele, né? Como diz a maravilhosa Milly Lacombe em sua coluna no UOL, “a cultura do estupro ensina a não nos deixarmos estuprar – e não a não nos estuprarem. O foco é o comportamento da mulher – e não o do homem”.
Só quando o olhar recair sobre o comportamento do homem é que isso vai mudar. E é isso que o céu, que espelha o espírito do mundo, tem nos convidado a fazer: desafiar essas velhas e defasadas histórias e criar outras novas, com a percepção e consciência de século 21.
Se queremos mudar comportamentos e rumos no mundo, precisamos contar novas histórias! E recontar os mitos com a percepção e consciência do século 21. Pra ontem.
