Ele é uma referência na minha astrologia.
Historiador cultural, contador de histórias e dono de uma compreensão original e única da história da humanidade, Thomas Berry impactou e transformou a visão de mundo de milhares de pessoas, incluindo a minha, ao propor uma outra forma de entender e se relacionar com a Terra.
Para isso, Berry propôs uma nova forma de contar a história da Terra e, claro, da humanidade, começando com o Big Bang e nos faz compreender que o universo é dinâmico e possui uma inteligência criativa, que o faz evoluir e avançar como uma história em contínuo desdobramento da qual a Terra, todos os seus seres e nós, participamos ativamente.
Essa compreensão faz com que aflore em nós compaixão, carinho e respeito por todos os seres, todas as espécies. A gente decoloniza a mente e o olhar em relação aos pássaros, às árvores, às águas, às montanhas, às estrelas. Passamos a compreender todos eles como colegas, parentes, membros de uma mesma comunidade, unidos pelo compartilhar de uma mesma casa, um mesmo habitat.
Com isso, a gente deixa de olhar pra Terra e seus habitantes como um amontoado de coisas e seres diferentes de nós, e passa a entender e ver que a a Terra é um organismo que gerou e nutre uma magnífica diversidade de seres com diferentes inteligências, subjetividades e formas de ser, vivendo de interdependente e interconectada na Terra. E é na comunhão dessas subjetividades, que a vida aqui floresce e o universo avança. Assim como nós.
Profundo pesquisador e conhecedor das tradições e cosmogonias ocidentais, asiáticas e indígenas, as palavras de Thomas Berry também alcançam a dimensão ética espiritual. Ou seja, falam da responsabilidade ética e moral que todos temos com a Terra e seus diferentes seres, como membros desse organismo que integramos, ao qual pertencemos.
Ao nos tocar também na dimensão espiritual, essa visão de Thomas Berry realmente nos inspira imaginar novos mundos possíveis e usar os recursos e ferramentas que temos para agir em prol disso, a fazer o que ele chama de Great Work – o trabalho de construir um novo caminho para o futuro do nosso planeta. Um no qual a presença humana não seja mais uma força destruidora, mas uma presença benigna que contribui para o florescer e bem viver da comunidade da Terra.
PS: se você quiser conhecer a visão de Thomas Berry, tem um curso gratuito online (um MOOC, Massive Open Online Course) oferecido pela Universidade Yale na plataforma Cursera. Se chama The Worldview of Thomas Berry: The Flourishing of the Earth Community! (A Visão de Mundo de Thomas Berry: O Florescimento da Comunidade da Terra) e disponibiliza legendas em português de Portugal. Fica a dica.
PS2: Celebrando a data do nascimento do ecoteólogo Thomas Berry, que faria 107 anos semana que vem, o Centro para Clima, Sociedade e Meio Ambiente da Gonzaga University, nos Estados Unidos, fez um webinário sensacional sobre a visão de Thomas Berry para a criação de uma grande comunidade composta por todos os seres que habitam Gaia, a Terra. Esse encontro foi uma dose de esperançar para o futuro de Gaia nesse momento de imensos e ameaçadores desafios ecológicos e climáticos. Deixo aqui o link da versão em inglês do webnário.
PS3: Falando em nascimento, esse visionário com Sol em Escorpião e Terra em Touro tinha em seu mapa astral duas combinações arquetípicas extremamente potentes e que, por sua trajetória, parecem ter atuado fortemente nele: o inovador cultural e o transformador do status quo, o que transmuta a ordem estabelecida. O que ele fez com a delicadeza e tenacidade de quem sabe que o desafio é grande, mas a força do sonho e da visão é maior. Já o visionário idealista, outro arquétipo presente no seu mapa, mostra a capacidade de encontrar caminhos possíveis e, assim, sair do desespero paralisante e partir para a ação.
Imagem: Toni Reed/Unsplash
