Como todo mapa, também o mapa astral é uma representação.
No caso aqui, a da sua paisagem interna. Da sua subjetividade. O mapa astral é uma rica e detalhada representação da topografia da sua alma, da sua psique. E o que essa topografia nos mostra é o cenário simbólico que lhe habita e que, ao animar suas escolhas, vai construindo sua realidade e sua voz no mundo.
Como representação da sua paisagem interior, o mapa astral é uma ferramenta pra lhe ajudar a conhecer o cenário da sua alma e compreender o que aduba, fertiliza, irriga esse solo. O que lhe faz mover na direção do seu florescer e do que você veio viver e contribuir para o bem viver seu e de todas e todos aqui.
A nova cosmologia nos ensina que a força propulsora de toda evolução é a possibilidades de desdobramento, aquilo que pode vir a ser/se tornar (ou não). Essa nova proposta fez ruir o conceito newtoniano de causa e efeito, de que uma coisa acontece em função de outra que já aconteceu no passado, que acabou sendo substituído pela ideia das possibilidades de desdobramentos, de vir a ser. Como isso se dará e qual possibilidade será escolhida, depende de uma série de fatores, que vai além do eu.
É esse entendimento que guia a cosmologia atualmente. Diante disso, passei a entender a imagem do céu sob o qual você nasceu, do momento da sua chegada triunfal nesse mundão lindo e da sua primeira respiração, a sua primeiríssima troca autônoma com todo o Universo, como um mapa das potencialidades da sua alma aqui.
O que fascina a sua alma e atrai sua atenção? O que encanta e fertiliza a sua paisagem interior? O que irriga e aduba esse seu solo interno? É isso que nos move na direção do que viemos viver por aqui! Aquilo que já somos e nossa alma anseia viver e realizar, para contribuir com o mundo e para o nosso florescer. E aqui, gente, entra a beleza e potência da nova cosmologia!
O astrônomo e físico Sarbmeet Kanwall explica que é o nosso contexto externo e a nossa paisagem interna que nos fazem reconhecer as possibilidades e nos mover na direção delas. Não porque há algo no passado que nos empurra pra elas; mas, sim, porque há algo puxando na direção de uma dessas possibilidades.
Ele nos ensina que a maneira certa de pensar é que as possibilidades que nos acenam e nos fazem sonhar um futuro é que fazem o mundo avançar. Mas o que faz com que uma dentre todas as outras possibilidades se desdobre?
Isso depende da sua paisagem interior e do contexto social, cultural e familiar que você está imersa. Sim, o contexto em que estamos inseridos SEMPRE influencia a forma como vamos nos relacionar com a nossa alma e com as possibilidades. Vou te explicar melhor isso usando uma analogia que, como escritora, eu adoro!
COMO UMA HISTÓRIA
Se a sua vida fosse uma série da Netflix, a leitura do mapa astral lhe ajudaria a compreender qual o propósito da sua personagem que você vai viver nessa série. Sua nuances, sua potência, suas vulnerabilidades, suas paixões e fascínios. O que lhe impele e move rumo ao seu florescer. Ou seja: ele ajudaria conhecer a alma dessa personagem.
Aliás, hoje penso no universo como uma grande série cósmica (hello Cosmicflix) com muuuitas temporadas. E dentro dessa trama épica, estamos nós, euzinha e você, participando de alguns episódios e vivendo papéis que nos cabem, para o qual assinamos contrato com a vida, pra viver aqui e que vão contribuir nos desdobramentos da história nossa, do mundo e do universo.
A propósito, isso tudo me fez pensar nesse diálogo maravilhoso entre Gandalf e Frodo, que me encanta e fascina sempre!
Como escritora de ficção, identifico muitas similaridades entre o propósito das histórias, a nova cosmologia e o mapa astral. No livro Story Genius, a escritora Lisa Cron explica que as histórias fornecem ao cérebro, que está sempre buscando padrões que lhe garantam a sobrevivência, pistas de como evitar o que ele mais teme: o inesperado.
“Fábulas contém instruções que direcionam os caminhos da alma e nos ensinam como lidar com as dificuldades”, endossa a psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés, autora do clássico Mulheres que Correm com os Lobos. Como diz o escritor Neil Gaiman em sua obra Coraline, contos de fadas nos ensinam não que dragões existem, mas que eles podem ser derrotados
Mais do que em qualquer outra época, precisamos de histórias para derrotar dragões do nosso tempo e fazer florescer no imaginário novos mundos possíveis, mais pleno de cooperação, amorosidade, compaixão, ética e cuidado para o bem ser e viver de todas e todos nós. E é aí que o mapa astral, como representação da nossa paisagem interna, se torna uma ferramenta potente.
SOBERANIA, AUTONOMIA & SUA VOZ NO MUNDO
Conhecer o mapa dessa forma traz aceitação, acolhimento e conhecimento de quem você é e dos anseios da sua alma. Isso lhe dá soberania e autonomia pra fazer escolhas que façam sentido pra você, que retroalimentem com significado sua alma e com as quais você vai construindo e estruturando a sua realidade, a sua vida, e a de todas e todos nós. E pra navegar num mundo em que nada é certeza e tudo é possibilidade de desdobramento, de vir a ser.
O propósito da minha leitura é provocar um “poxa, é isso!”, te ajudando a entender o que você já sente e a perceber melhor aquilo que já está em você! Com isso, quero lhe ajudar a conectar com quem você já é, reconhecer as possibilidades à sua frente e se mover na direção das que fizerem sentido pra você, pra sua alma.
É isso que me proponho oferecer com minha leitura de mapa astral: que você entenda com a mente, a alma e o coração o que está em você, aquilo que você já é e é essencial pra você na sua história, na sua vida. E que também vai contribuir para o bem viver de todas e todos aqui.
“Do ponto de vista linha do tempo do universo, o nosso tempo é pouco e a gente precisa preencher ele com algo que a gente acredita que é importante para todas as outras pessoas” Emicida
Imagem: Alejandro Barba/Unsplash
