Resolvi falar sobre arquétipos já que eles são a pedra fundamental da cosmologia arquetípica, a perspectiva filosófica que busca entender as correlações entre o movimento dos planetas e os padrões arquetípicos da experiência humana usando astrologia, psicologia, biologia, mitologia, história e muito mais. Perspectiva essa que orienta toda a minha prática astrológica e a própria astrologia arquetípica.
Para a psicologia, arquétipos são modelos universais de personalidade e comportamento das pessoas. Cada um deles é uma narrativa de um padrão universalmente compreendido em qualquer cultura e que é compartilhada por todos nós através do inconsciente coletivo – no imaginário, portanto. Por exemplo, se eu falar que sou uma anciã, imediatamente você faz uma imagem mental e comportamental minha, sem que eu precise dizer mais nada, certo? Isso é arquétipo na psicologia.
O introdutor desse conceito na psicologia foi Carl Jung. Ele acreditava que os arquétipos eram componentes fundamentais da psique humana, originados no inconsciente coletivo e compartilhados transculturalmente através de mitos, símbolos e sonhos.
Muito antes de Carl Jung nos apresentar esse conceito e se falar sobre isso na psicologia, o filósofo Platão já falava dos arquétipos na Grécia antiga. Mas ele tinha uma pegada mais mística/metafísica.
Para Platão, arquétipos eram formas originais do ser que eram impressas na alma de cada pessoa no momento do seu nascimento. Ao serem incorporados por nós, essas formas originais que habitavam a esfera superior e ordenada que era o Cosmos, elas eram influenciadas pela nossa humanidade e imperfeição e se tornavam uma espécie derivada do arquétipo original. Ela se tornava um subproduto da forma original que, como tudo aquilo que pertencia à esfera superior, era inatingível aos humanos.
Além disso, a partir do momento em que fazem parte da nossa psique individual, as narrativas dos arquétipos são influenciadas também pelos contextos familiar, social, cultural, e ganham uma forma de expressão toda sua, ainda que jamais deixe de carregar o princípio/conhecimento universal sobre uma questão da alma que ele simboliza.
Na astrologia e cosmologia arquetípicas, propostas pelo filósofo e psicólogo Richard Tarnas, estudamos os arquétipos planetários em relação à vida humana mesclando ambas as visões. Os arquétipos planetários nos permitem reconhecer, nomear e entender as forças (conhecidas e desconhecidas) que constituem a nossa natureza e regem nossas vidas. Saber isso dá compreensão da nossa natureza, da nossa essência, e como ela se integra ao coletivo e se relaciona com o mundo.
