Bora aproveitar a sexta-feira, dia de Vênus, pra falar de uma mulher invisibilizada pelo rolo compressor do patriarcado?
Conheci a história dela durante a pesquisa que fiz para o meu novo livro, Reviravolta no Céu.
Elizabeth Williams foi uma das primeiras mulheres a concluir a Licenciatura em Física no MIT. Em 1905, foi contratada por Percival Lowell ‘computadora’, para fazer os cálculos matemáticos que ele necessitava na busca por localizar um novo o planeta que, desconfiava ele, existia.
Quando Lowell faleceu em 1916, Elizabeth era principal computadora do Observatório Lowell.
Com a morte do chefe, o projeto parou até que o astrônomo Clyde Tombaugh fosse contratado para retomar a pesquisa.
Os cálculos certeiros de Elizabeth foram usados por ele e, assim, Plutão foi descoberto em 1930.
No entanto, Elizabeth não participou dessa conquista.
Ela sequer trabalhava no observatório nessa época.
Tudo porque, em 1922, ela decidiu se casar e foi demitida. Afinal, não era de bom tom à época que uma mulher casada trabalhasse fora de casa. Era totalmente inapropriado. Aff…
Ela e o marido foram, então, trabalhar no observatório que a Universidade de Harvard mantinha na Jamaica. Em 1935, quando ficou viúva, Elizabeth voltou aos Estados Unidos e foi morar com a irmã mais nova em New Hampshire, onde morreu em 1981 aos 101 anos.
Esse é mais um caso nada isolado numa lista bem grande de mulheres geniais que tiveram seus nomes e suas vozes apagadas da história pelo rolo compressor desse sistema chamado patriarcado.
PS DE DONA ASTRÔ FEMINISTA
O céu hoje é um convite pra gente questionar os valores que nos foram ensinados como “certos, naturais ou da nossa essência” pelo patriarcado. O céu hoje convida você a se ligar nas amarras, nos espartilhos que apertam e aprisionam sua alma, sua mente, e que ainda são fruto (sim, infelizmente) das ideias e valores que esse sistema social criou para controlar nossos desejos, nossos anseios e o nosso comportamento aqui fora. O céu convida a questionar pra se libertar.
Imagem: Jon Tyson/Unsplash
