Separei há quatro anos. Li o livro O Diabo que te Carregue há dois.
Por um probleminha de timing, (auto)censura e porque não curto nadica de nada descer do salto e partir para um bom barraco, só hoje tô soltando o verbo. E dizendo aqui, em caixa alta e bom tom, o que eu deveria ter berrado ao vento 1.480 dias atrás, quando descobri que havia levado um clássico par de chifres.
– GO TO HELLLLL! VAI PRO INFERNO!
Porque será que o homem é tão mais fraco do que a mulher na hora de dar a real e dizer que descurtiu a relação?
Porque é tão mais fácil se esconder atrás do nada-honesto-e-clássico “o problema não é você, sou eu”?
Dizem meus colegas testosteronas, em nossas animadas discussões durante o almoços repletos de ponderações sobre o universo dos relacionamentos, que a frase em questão não é totalmente desonesta. Afinal, o problema realmente é a pessoa – que descurtiu e não sabe como dizer isso. Não por pena, mas porque não quer ficar mal na foto com a futura ex.
Sério que o umbigusmo prevalece até mesmo nessa hora?
Concordo que é difícil dizer isso ‘olhos nos olhos’, de fato. Mas quer saber? Falar a verdade vai doer menos, no final das contas. Principalmente, se a frase aí ocultar alguma mentira ou terceira pessoa.
Tenha certeza, amigo testosterona, que olhar nos olhos lacrimejantes da ex-amada e não dar a real porque você ficou morrendo de pena dela ou por não ter colhões alfa para arcar com a verdade não vai diminui em nada o sofrimento.
Pelo contrário!
Ela vai acreditar nessa mentira deslavada e vai ter esperança – bem, isso se ela não tiver nenhuma amiga honesta e sincera o suficiente pra puxar as orelhas dela…
O fato é que ela vai descobrir. E não vai demorar, porque a mentira (de fato) tem pernas curtas. E isso é muito, MUITO pior, prezado testosterona. Acredite. Sua ex irá sentir-se duplamente apunhalada, por você e por sua fraqueza e desrespeito ao mentir olhando fundo nos olhinhos dela.
E essa dor rasga.
Enfurece.
Coloca nas veias de qualquer dama um bom e quente desejo que clama por vingança. Por barracos. Daqueles repletos de impropérios, com vontade de bradar ao mundo todas as verdades nuas e cruas abafadas ao logo do relacionamento.
Mas, como tudo na vida, isso também tem algo de positivo e saudável.
A raiva é o sentimento que alerta que nos sentimos injustiçados ou que houve invasão não autorizada do nosso território, coisas que causam desconforto. Para assumir a postura da ponderação, primeiro é preciso dar vazão ao sentimento, sim! Descer do salto e gritar:
– Vai pro inferno!
Extravasado o sentimento, aí, sim, a ponderação e o equilíbrio podem se instalar.
Isso me lembra algo que aprendi como o IChing e os chineses: só adquirimos a noção do morno, quando conhecemos o frio e o quente. E não é?
Essa treta foi escrita no meu antigo blog em 2012
