Eu estava escrevendo o conto Amor de verão não desce serra, com o processo criativo superativado, quando fiz o segundo encontro do Clube de Astrologia pra Mulheres. E saí frustrada com o formato dele. Não era o que eu queria fazer. Mas, como tinha prazo para finalizar o conto, coloquei a mudança do Clube no modo espera.
Poucos dias depois de ter publicado o conto na amazon, eis que entro no instagram da Palmira Margarida e leio sobre a jornada das Mulheres-Planta. Assim que meus olhos pousaram nos posts, o insight rasgou!
Era isso! Claro!
Depois de criar Dona Astrô Feminista, por que não criar mulheres planeta, transformando o arquétipo de cada planeta astrológico em uma Mulher Ancestral?
Por que não destituir os deuses masculinos, com suas mitologias e narrativas carregadas de machismo e misoginia, da regência dos planetas e deixar que essas mulheres ocupem o lugar deles no nosso imaginário e em nossos corações?
Fascinada com a ideia, e com total apoio das mulheres incríveis que participam do Clube, comecei a colocar em prática já no encontro de agosto. E foi incrível! Exatamente o que eu desejava. Empolgada, preparei mais um encontro. Dessa vez, com Madame Vênus, a mulher ancestral que direciona nossos fascínios e faz com que nos apaixonemos e relacionemos com o que traz sentido para a alma, para a nossa existência.
Em seu livro Persephone Rising, a autora Carol S Pearson diz que, quando vivemos novas situações, geralmente precisamos de novas histórias, já que elas não só nos ajudam a criar um mapa para uma nova jornada, como também servem de apoio para nos segurarmos quando o caminho parece estar desmoronando.
Concordo com ela e venho fazendo isso com a astrologia no Clube. Ao apresentar os arquétipos dos planetas como Mulheres Ancestrais que nos habitam, reconhecendo e nomeando cada uma delas, e recontar suas histórias, desejo ajudar a criar novas história a partir de outros paradigmas, diferente desse de dominação e opressão que é o patriarcal. Como diz Carol nessa sua obra:
“Os arquétipos e suas histórias ilustram maneiras do ser humano existir e aspectos de suas experiências na vida. A forma como se mostram, expressos em imagens, personagens e narrativas, inevitavelmente reflete a cultura e situação específica de cada período do mundo. … A maneira como vamos experimentar os arquétipos vai refletir necessariamente nosso próprio tempo e a cultura em que estamos inseridos nesta grande cultura maior”
Assim nasceu a ideia de apresentar o arquétipo de cada planeta astrológico na forma de uma Mulher Ancestral para dialogar com o inconsciente e nos ajudar a entender o que traz sentido para a nossa alma, para a nossa existência. Ter seguido e concretizado essa visão foi mais uma pequena grande vitória da Mulher Sábia (a voz da nossa intuição, da alma) sobre o Sabotador (o predador natural de sonhos que nos habita, que é bancado e nutrido pelo patriarcado).
Mas o processo ainda estava em andamento. A construção não havia acabado.
Em outubro, eu soube que queria transformar o que vínhamos fazendo no Clube de Astrologia num curso.
Comecei a trabalhar nele, já com a data de realização dele na cabeça: janeiro de 2024 (se tudo der certo). E, ainda, com o propósito de fazer dele uma ferramenta de autogestão, de ampliação de repertório e de autopercepção, rejeitando “terminantemente a entrega do nosso destino pessoal e coletivo nas mãos de terceiros… nos colocando na posição de escolhermos caminhos nossos”, como diz minha querida amiga e professora de História das Mulheres Suzana Veiga.
Agora, na reta final de novembro, depois de uma série de novas leituras, trocas com amigas e algumas sincronicidades, mais uma camada foi desvendada e entendi que o que venho buscando nesses dois últimos anos é uma nova linguagem para dialogar com a dimensão criativa do universo (que é a do inconsciente, do transcendente, da alma) através da astrologia.
Como conto na newsletter dessa quinta-feira, acredito que há uma inteligência essencialmente criativa (e amorosa, como dizia Martin Luter King) no universo, que busca nos conhecer e ser conhecida por nós. A linguagem simbólica parece um caminho para dialogarmos e interagirmos com ela. Não com o objetivo de manipular ou controlar desfechos, mas de se engajar e participar da construção da vida, da sua cocriação.
Pra encerrar, deixo aqui palavras da escritora Elizabeth Gilbert em sua newsletter Letters from Love.
“Einstein disse: “A decisão mais importante que tomamos é se acreditamos que vivemos em um universo amigável ou hostil”. Como você decide responder a essa pergunta impactará todos os momentos de sua existência. (Dica: Einstein acreditava que vivia em um universo amigável. Eu também.)“
Eu também acredito, Liz.
Seguimos. 🖤
Imagem: Sidney Perry/Unsplash
