Somos filhas do tempo sob o qual nascemos e carregamos em nós as marcas dele. No mapa astral, isso fica claro ao olharmos dois tipos de diálogos entre mulheres planetas: os que caracterizam um determinado momento do mundo e a fase lunar. Olhar para a fase da Lua dá uma primeira visão dos anseios que movem a alma e nos fazem avançar vida afora.
Costumo dizer que, se fôssemos celulares, a alma seria a bateria; a fonte (o carregador) dela, a espiritualidade; e a anergia que tudo alimenta, o significado. Gostemos ou não, somos seres movidos por significado. Não à toa, nossa espécie desenvolveu uma consciência simbólica. Mas voltemos à analogia do celular.
No celular, o que faz a interface, a ponte, entre você e o aparelho é o sistema operacional, que é o conjunto de softwares que gerencia, administra e faz operar todos os recursos presentes no sistema – dos componentes do hardware aos arquivos que baixamos e apps que usamos.
Da mesma forma, o que faz a ponte entre nós e a vida é o sistema consciência/inconsciente; e, tal qual ocorre com o celular, há vários softwares que fazem esse sistema operacional rodar. No nosso caso, (as forças que habitam a psique e movem a alma. Uma forma de identificar estas forças (nossos softwares) são os diálogos das mulheres planeta num mapa astral. Um deles é o que se dá entre Luna e Soléi (Lua e Sol), também conhecido como ciclo de Lunação.
Esse ciclo, que é essencial ao nosso funcionamento, descreve o diálogo contínuo entre Luna e Soléi mês após mês. Cada etapa dele, que chamamos de fase lunar, apresenta uma combinação específica entre duas forças que organizaram nossa vida material e subjetiva na Terra: luz e escuridão.
Como a luz foi associada ao dia e ao Sol, e a escuridão, à noite e à Lua, tudo que é solar tornou-se símbolo de consciência, do que se tem conhecimento, do que a razão domina; e o que é lunar, do inconsciente, do mistério, do desconhecido, do que transcende a razão. Logo, a dança entre luz e escuridão que cada fase lunar reflete sobre nós, ciclo após ciclo, mês após mês, é uma dança simbólica entre consciência e inconsciente que nos permite compreender anseios que rodam o nosso sistema operacional e se refletem em nossas vidas.
Simbolismo à parte, luz e escuridão também regulam o ciclo circadiano (o relógio biológico), que é responsável pelo funcionamento do organismo e dessa lindeza chamada corpo. Voltando ao mundo simbólico, a seguir, apresento o simbolismo astrológico de cada uma das fases lunares. Você verá que utilizo o método criado pelo astrólogo Dane Rudhyar, que divide o Ciclo de Lunação em oito fases distintas. Bora conhecer cada uma delas?
FASE NOVA
Essa etapa se desdobra nos 3,5 primeiros dias do que chamamos Lua Nova. Ela se inicia com o encontro entre Soléi e Luna e segue até que Luna se afaste 45 graus de Soléi.
Nesse estágio, em que a escuridão/inconsciente predomina sobre a luz/consciência, há forte impulso de vida e um anseio por expansão, espontaneidade, impulsividade. Com a força da intuição predominando, esses dias tendem a ser mais viscerais e instintivos/intuitivos. O que pode gerar alguma confusão emocional.
A mulher nascida nesta fase tende a sentir visceralmente, intuir o novo, o pulsar da vida e daquilo que começa a despontar. Por isso, pode acabar sendo mais subjetiva, impulsiva, intuitiva, espontânea. Às vezes, pode se perder em meio a tantas percepções e sentimentos, ficando presa a eles, e acabar projetando o que sente sobre outras pessoas e situações, criando confusão dentro de si e ao seu redor.
FASE CRESCENDO
Nessa etapa, que se dá 3,5 dias antes da nossa Lua Crescente, Luna segue se afastando de Soléi, formando relações angulares entre elas que viram de 45 a 90 graus.
Aqui, enquanto a presença de luz segue crescendo, e a consciência de algo vai despontando, um sentimento de incômodo com o antigo e ultrapassado surge. Ainda não se tem clareza do que é, mas se sente um anseio. É momento de desafiar o antigo, abrir caminho em busca de crescimento e de desenvolvimento pessoal.
A mulher nascida nessa fase tende a sentir quando algo novo vem por aí. E ainda que não saiba bem o que é, ela sabe que vem e sente em todos os seus poros. Se acredita nessa sua intuição, se tem fé nela mesma, terá autodeterminação, paixão pelo desafio e vontade interna para superar obstáculos e abrir caminhos. No entanto, se não acredita no que sente, se disfarça as evidências e nega a sua intuição, acaba se enfraquecendo internamente e deixa de acreditar em si mesma. Aí, sentimentos como frustração, insegurança e derrota tomam conta e tudo parece muito difícil e até intransponível.
FASE PRIMEIRO QUARTO
Nessa etapa, que se dá nos 3,5 primeiros dias da Lua Crescente da folhinha nossa de todos os dias, Luna segue se afastando de Soléi e as duas formam relações angulares que variam de 90 a 135 graus.
Nesse estágio, a luz aumenta. Logo, desponta clareza sobre o que se quer desafiar, fazer diferente e o movimento para efetivar a mudança surge junto – ou o que o inconsciente quer trazer para a consciência. Há impulso para a ação e forte vontade e capacidade de se organizar e tomar decisões. A emoção de executar essas atividades e de superar dificuldades cresce e transborda.
A mulher nascida nessa fase tende a se envolver com aquilo que vai ajudar a estabelecer o novo, com o que vai lhe trazer crescimento e desenvolvimento, e parte para a ação. Ela faz o que é preciso e supera os obstáculos que vão surgindo no caminho, direcionando seu impulso e vontade para fazer acontecer. Se ficar parada, sem agir, sem fazer nada, mina sua força e potência, podendo implodir e sentimentos de derrota, de incapacidade, pode lhe levar a buscar rotas de fuga e ao escapismo.
FASE CORCUNDA
Nessa etapa, que se desdobra nos 3,5 dias anteriores à Lua Cheia, Luna faz seu último trajeto rumo ao ponto máximo de afastamento de Soléi e, nesse caminho, as duas formam relações angulares de 135 a180 graus.
Nesses dias, com a força da luz aumentando, escala o anseio por crescimento pessoal e coletivo e o desejo de oferecer valor e significado aos demais, à sociedade. A consciência (de algo novo) se amplia e a mente fica aguçada para compreender do que se trata e fazer o que abrirá caminho para esse novo – que tende a ser melhor para você mesma e para as outras.
A mulher nascida nessa fase tende a ter mente e intuição afiadas e que trabalham juntas na avaliação de situações e de pessoas, assim como na associação de ideias, para concretizar planos e projetos. Assertiva, se devota ao crescimento não só de si mesma, mas dos outros, ansiando que todos cresçam com ela. Em função disso, pode tornar-se impositiva, acreditando que sabe o que é melhor para todos, ter tendência à devoção e sentir necessidade de cercar-se de pessoas. Em excesso, pode tornar-se influenciável, confusa.
FASE CHEIA
Nessa etapa, que se desdobra nos 3,5 primeiros dias da Lua Cheia, marcando o clímax do afastamento e a metade do ciclo, Luna volta a formar relações angulares entre 180 e 135 graus com Soléi. Dessa vez, rumo a um novo encontro com sua parceira nesse bailar cíclico no céu.
A luz atinge o auge nesse estágio, marcando um período de clareza, ampliação de percepções, compreensão de propósitos e anseios da alma, do que até então estava oculto no inconsciente, e daquilo que os sentimentos estão querendo nos dizer e mostrar. Vem à tona na consciência algo até então inconsciente. Tudo transborda – compreensão e/ou negação, sentimentos e/ou pensamentos, clareza e/ou enganação.
A mulher nascida nessa fase tende a ter forte capacidade de receber insights, iluminação, de imaginar, de nomear o que sente e o que anseia, e de realizar o que a alma quer. Transbordante, ela contagia os outros com sua luz/consciência, transformando a ela mesma e impactando quem está próximo. Pode se perder em excessos, se descolando da realidade ou se dividindo internamente e agindo e lutando contra si mesma.
FASE DISSEMINADORA
Nessa etapa, que ocorre 3,5 dias antes da Lua Minguante, Luna forma relações angulares entre 135 e180 graus com Soléi, em seu caminha rumo a um novo encontro com ela.
A luz começa a diminuir e é hora de espalhar por aí essa nova consciência. O entusiasmo transborda e há necessidade de disseminar ideias e conhecimento, de se posicionar e lutar pelo que se acredita, de compartilhar o que se viveu, experienciou, o que se aprendeu ou se imaginou.
A mulher nascida nessa fase tende a ter forte entusiasmo por compartilhar, divulgar e disseminar conhecimento, ideias, paixões, experiências, o que aprendeu e viveu, e a lutar pelo que acredita. Para isso, ela usa todos os meios e plataformas possíveis e não poupa energia. Porém, pode ficar muito envolvida numa bolha específica e acabar se perdendo em dogmatismo fruto de confusão mental e/ou causas sociais.
FASE MINGUANTE
Nessa etapa, que marca os 3,5 primeiros dias da Lua Minguante, Luna está cada vez mais próxima de Soléi, ficando entre 90 e 45 graus de distância dela.
Nesse estágio, a escuridão começa a crescer e a luz a diminuir. O inconsciente vai ganhando força e começa a preparar o novo que irá emergir na consciência no próximo ciclo. Desponta um anseio de revisar pensamentos, ideias, estruturas; de reformar e transformar sistemas obsoletos. Há tendência a se afastar do que já não serve mais e se reorientar para o novo, o futuro, mergulhando na construção do porvir.
A mulher nascida nessa fase tende a ser uma agente da mudança. Tem forte anseio de reformar, transformar, construir o novo e um outro futuro. Para isso, usa toda a sua capacidade aguçada de organização e gerenciamento, trabalhando com afinco, custe o que custar, em prol da concretização da mudança. Essa firmeza de vontade pode se tornar inflexibilidade, gerando intolerância à críticas e atitudes ditatoriais.
FASE BALSÂMICA
Nos 3,5 dias antes da Lua Nova, Luna vai formando ângulos menores de 45 graus com Soléi, se aproximando cada vez mais, até que ambas voltem a se encontrar.
A escuridão cresce e a luz vai esmorecendo, sinalizando que é tempo de sentir e ouvir a intuição – a forma como o inconsciente informa e dá sinais do novo que vai aflorar no próximo ciclo. Um forte anseio por levar o passado a uma conclusão e servir ao futuro, a fim de abrir portas para o novo, marca esse estágio. Nele, predomina um sentimento de conexão com o por vir, gerando forte sentimento de finalidade em todos os relacionamentos, escolhas e atitudes. Isso pode causar confusão, criando um senso profético nada real do tipo Baby do Brasil.
A mulher nascida nessa fase tebnde a se sentir fortemente conectada com o futuro, com o que vem por aí, com o que vai nascer. Isso lhe faz ter um senso de finalidade muito forte a lhe guiar e, ainda, um anseio por resolver o passado, aproveitando toda a sabedoria que ele lhe propicia, e conectar-se ao futuro. O sentimento de ser guiada por poderes superiores pode causar ilusões e delírios.
Essas são as oito fases lunares com as quais trabalho na astrologia mulheril. Espero que essa visão gere novas percepções e lhe ajude a compreender melhor você mesma, seus ciclos e os da natureza. Lembrando que essas são carcaterísticas arquetípicas e que, como todo arquétipo, dentro desse espectro há diferentes maneiras de se expressar, que são coloridas pelo seu contexto e repertório.
A colagem linda que ilustra esse texto é da talentosa Lidy Araújo do Collage Lab
