Fazia algum tempo que Meditação e eu estávamos em um relacionamento. Não tão sério como desejávamos.
Por minha culpa, diga-se.
Ela sempre quis dar o próximo passo, me prometendo o nirvana tão logo nosso status se tornava mais sólido. Sério. Mas eu, sem qualquer motivo maior ou mais tolo do que minha própria ansiedade, relutava em me render ao seu fascínio e me entregar e deleitar em sua companhia.
Nossos encontros, geralmente fugazes, mas deliciosos, se davam ao despertar meu – aliás, horário este em que, animadinha, aprecio desfrutar de boa companhia. Nesses momentos, o prazer que me invadia ao seu lado só me fazia proclamar juras de amor eterno e de que nunca mais dela deixarei. Promessas feitas no calor do encontro que acabo não conseguindo honrar.
Cognitiva e racionalmente, eu sabia que esta era uma das melhores uniões que eu podia fazer por mim e que só sairia ganhando. Mas nada disso parecia adiantar… Não pergunte porquê, pois não sei explicar. Até em terapia já havia dialogado sobre esse meu caso mal resolvido! E não vá pensando que sou fraca, volúvel e sem determinação. Nananinanão! Nada disso! É que a ansiedade, outra grande parceira que também me adora, sempre acabava seduzindo a mim e me arrancando do abraço gentil e amoroso da Meditação.
Até que algo aconteceu…
Estava eu assistindo o vídeo da palestra do Marco Schultz no TEDxLaçador. E aí, ele falou dela:
– Tão importante a gente, talvez, desmitificar o propósito de Meditação, entendendo Meditação como o silêncio em mim e não meramente o meu silêncio, que talvez nem exista…
UAU!
Finalmente alguém estava falando a minha linguagem, dialogando diretamente com o meu sentimento de inadequação, por nunca conseguir silenciar minha cabeça.
– Um momento de pausa, simplesmente pausa. Nada mais. Nenhuma necessidade de puxar, de empurrar, fazer alguma coisa acontecer, de parar de pensar… Contempla e abre a possibilidade desse pensamento, que talvez esteja aí, circular livremente, à vontade, e você, um mero observador.
UAU! Sim, sim, sim!
Agora estava claro, reluzente, brilhante! Como eu não havia percebido isso antes?
Meditar é aceitar a nossa natureza, concordar com ela e, assim, deixar todo o resto passar e apenas observar. Eis aí o que é o tal contemplar.
Inspirada por essa iluminação, me encontrei com a Meditação na manhã seguinte. E aí, tudo fluiu sem grandes esforços e dores, como o professor-mestre havia dito. Muito linda e naturalmente, como são as coisas do coração.
De lá pra cá, passei não só a compreender na prática o poder que o encontro com a nossa natureza, com o nosso divino, com nossa conexão com Deus, nos dá para vivermos a nossa verdade, como sua potencial forma de nos sintonizar com o tempo e o momento. E assim, diminuir a ansiedade que consome o corpo.
Escrito em Julho de 2015
