A Lua Cheia de hoje está me fazendo refletir muto sobre as relações de poder na Terra e o quanto o arquétipo do planeta Terra está envolvido nisso.
Sempre (SEMPRE) oposta ao Sol, a Terra se une à Lua num abraço lindo nessa (e em toda) Lua Cheia. Junto com elas, nesse mesmo lado da gangorra, está Saturno. Planeta que, entre outras coisas (incríveis, por sinal), também simboliza o patriarcado mais roots, aquele que definiu hierarquias e criou a ideia de que a natureza e o mundo (e até o amor, pasmem) tem hierarquias.
A partir dessa ideia fabricada e equivocada, toda relação de exploração (e escravidão) começou a acontecer. E passou a ser justificada e adotada como a ordem normal das coisas no mundo. E, pior, da vida.
Foi a partir dessas hierarquias artificiais que as relações mudaram entre homens e mulheres, e o corpo da mulher e a terra se tornaram territórios a serem ocupados, usados, explorados até a devastação.
Foi assim que a mulher e a terra se tornaram propriedades dos donos do poder, assim como todos os outros corpos e seres vistos como inferior por esses donos do poder. A própria Terra virou uma posse deles.
O que me leva ao Marco Temporal e a Lua Cheia (a blue moon) de hoje.
As fases da Lua só existem devido à relação entre Sol e Lua no nosso céu. Qunado a Lua é Nova, Sol e Lua estão juntinhos, dançando cheek to cheek. Lua Cheia? Sol e Lua estão em lados diferentes da gangorra.
Essa relação virou um ménage com a entrada da Terra nessa equação.
Sempre oposta ao Sol, a Terra fica agarradinha com a Lua na Lua Cheia, como hoje. E exacerba o corpo, o sentir pela matéria, a criação.
Junto a elas, está Saturno, reforçando a materialidade e também simbolizando o patriarca. E, no lado oposto da gangorra, junto com o Sol, está Lilith.
Lilith que é a insubordinação. A insurreição contra o que não é justo e nem prazeroso para a mulher, para a natureza, para a terra. A voz que não se cala e que libera o grito e diz: comigo, não! Aqui, não!
Pois Lilith (junto com a Terra e a Lua) pode hoje desafiar os patriarcas mais uma vez, a exemplo do que já fez no passado.
Mas, quando o assunto é lei, é preciso olhar para o planeta símbolo dela, que é Júpiter. A ele associamos o mito de Zeus, que tão bem mostra como a lei foi criada pelos donos do poder, para que pudessem manter seus privilégios e seguir como donos do poder.
Pois não é que no céu de hoje o poder e as leis de Júpiter estão sendo contestados por Vênus (nossos valores e fascínios, o que nos move e mobiliza) e Juno (a parte me nós que sabe reconhecer no que vale a pena investir nosso poder e influência e que coloca nosso poder de cocriar (simbolizado pela Terra) à serviço nossos e do mundo).
Juno que é associada à Hera, a esposa de Zeus, que era uma das faces da grande deusa que governava o mundo antes do patriarcado. E que foi destituída do poder pelos patriarcas para tornar-se sombra do marido.
O embate de Vênus e Juno, que conta com a participação da Terra, de Lilith e da Lua, promete intensas emoções e, talvez, surpresa nessa quarta-feira. Urano, que simboliza rompimento com o status quo, uma lufada de ar fresco de ideias e insights, inovação, está chegado junto a Júpiter. E pode desequilibrar esse jogo para qualquer um dos lados.
O que está em jogo hoje é a manutenção desse sistema que vai se tornando cada vez mais um Frankenstein, uma Hydra travestida de ‘avanço civilizatório tecnológico’. Vamos conseguir dar mais um passo rumo a sua queda, criando mais rachaduras e rupturas nele? Ou os donos do poder vão seguir alimentando esse monstro?
Imagem de Bruce Warrington/Unsplash
