O texto de ontem do passarinho engaiolado também me fez refletir sobre a criatividade.
Assim como o pássaro na gaiola, que perde a força na musculatura das asas, também a nossa criatividade acaba atrofiada quando presa, limitada, enjaulada. E, tal qual acontece com o passarinho, é preciso exercitar e ganhar musculatura para se lançar em novos voos.
Como diz minha amiga Lidy Araújo, que trabalha com criatividade, essa nossa capacidade precisa ser exercitada para não estagnar e enfraquecer. Concordo muito. A prática sempre me trouxe e traz alegria e confiança para voar.
A Lidy está fazendo uma newsletter linda sobre vida criativa. Além de conteúdo rico, texto impecável e ótimas referências, sua Creative News sempre traz exercícios deliciosos! Na primeira news, ela propôs que criássemos um minicenário, reunindo objetos que temos em casa. Logo imaginei uma cena e nascia a Ceia das galinhas – como batizou a querida leitora e amiga Graci.

FALANDO NA LIDY
Lidy e eu nos conhecemos há cerca duas décadas, ambas atuando como jornalistas em Porto Alegre. Eu, em assessorias de imprensa. Ela, usando toda a sua criatividade na escrita e na elaboração de editoriais, ações e campanhas em revistas, jornais, sites e programas de rádio. Lidy foi uma das pioneiras no planejamento, criação e produção de ações e campanhas de conteúdo para marcas e personalidades, assinando projetos para Warner Music Brasil, Anitta, Ludmilla, O Rappa, entre outros.
Foi nos tempos de telinha da pandemia, unidas pelo desejo de ter um espaço de respiro e de exercício de criatividade, que eu e essa minha amiga talentosa acabamos nos reaproximando. E criamos um feat criativo: as colagens lindas que têm ilustrado os textos da news são obras dela.
A criatividade sempre fez parte da vida de Lidy.
Na infância, ela era a garota que todos procuravam quando precisavam de algo relacionado à criatividade, fosse um pacote de presente ou a produção do estandarte do bloco de Carnaval. Seu sonho de ser estilista acabou descartado porque ela não sabia desenhar – infelizmente, na época, Lidy desconhecia que essa técnica poderia ser aprendida por qualquer pessoa.
Foi aí que o jornalismo entrou: pensando em escolher e montar looks, ela decidiu se tornar editora de moda. O que minha amiga não imaginava é que a música entraria no seu caminho e se tornaria o meio artístico onde toda a sua criatividade mais atuaria.
Assim foi até que um burnout, uma estafa profunda, a fizesse reavaliar sua trajetória, mudar-se para Florianópolis, estudar design de interiores e fazer da arte não mais um hobby, mas uma constante na sua profissão.
“Quando algo faz parte da nossa essência, mesmo que a gente opte por outros caminhos, em algum momento, ele ressurge pra nos mostrar que precisamos daquilo”, diz Lidy.
Na metade desse ano, Lidy se propôs um autodesafio: fazer 20 atividades criativas e retomar sua prática diária. Dessa sua construção, além de mais de 20 colagens e artes, e de muito conteúdo para seu instagram, Lidy acabou se aprofundando no estudo da criatividade.
A partir desse movimento, nasceria o Caderno Criativo, um workbook com 21 atividades práticas e lúdicas de nível básico, que podem ser realizadas por todos os perfis de pessoa. E, com ele, um novo projeto e norte profissional: ajudar as pessoas a resgatarem e desenvolverem o próprio potencial criativo.
Pensando no quanto esperançar e criar o novo estão relacionados, me alegra que Lidy tenha feito essa escolha. Afinal, mais do que nunca, precisamos nos conectar com a nossa capacidade de imaginar.
