Esse texto foi originalmente publicado em fevereiro de 2020 e agora, quase quatro anos depois, estou revisando e atualizando com as lentes e o olhar da astrologia mulheril nessa sua terceira onda.
Nele, falo de uma relação essencial pra que você compreenda os signos e a roda do Zodíaco como estágios. Que relação é essa? A que existe entre os 4 Elementos e as 3 modalidades/ritmos e que faz dos signos o que eles são.
Vamos lá?
FORMA DE ESTAR NO MUNDO
Os quatro elementos representam o “material” que tece a existência de tudo no universo, a nossa composição básica, o estado de ser primordial seu, meu e de cada coisinha no cosmos e na Terra. Eles simbolizam, portanto, a nossa forma de estar no mundo e interagir com ele e com os outros por aqui.
Ao que tudo indica, foi na Grécia Antiga que a divisão das realidades física e psíquica em quatro elementos se iniciou – e a correlação delas com os signos astrológicos também.
Assim, o Fogo se tornou símbolo da força de vontade, do espírito, da divindade em nós. Da identidade. Do consciência (senso) do ser. Da individualidade. Dass aspirações e inspirações do ser. Da autonomia. Do entusiasmo que consome. Da convicção. Do insight. Das que entusiasmam e iniciam. Volátil e quente, o fogo agrega e afasta o frio e a escuridão. Seja em torno da fogueira, que queima lentamente e aquece a muitos; ou a chama do palito de fósforo que quebra a escuridão de um lugar. Pensou Fogo, pensou espírito e vontade.
O Ar, por sua vez, se tornou símbolo do movimento, do que é intelectual, do pensamento, da mente, das ideias, da articulação, da comunicação, das trocas e da capacidade de relacionar coisas e pessoas e de se relacionar. Pense na respiração, uma troca constante de ar (ou prana, uma energia vital conforme a Yoga) entre externo e interno, entre eu e os outros, e que a todos une. Presente em todos os lugares sem que o notemos, o ar é simbolo das que propagam, disseminam, espalham as coisas. Quente com o calor do fogo, nos leva às alturas. Com a água, se transforma em neblina. Na simbiose com a terra, compõe a rocha. E com mais ar, gera ventania, tornado.
Já a Água passou a ser símbolo do reino do sentimento, da emoção, da sensibilidade, da intuição, do visceral, da empatia, da compassividade, da receptividade, da fertilidade. Do que é instintivo. Do não racional. Da imaginação que tudo cria e gera. Das que que captam, sentem, intuem, absorvem, fluem. Pense na água. Assim como nossas emoções, ela se apresenta em muitos estados e formas. Pode ser quieta e misteriosa em um lago, em movimento fluído ao longo dos rios e em ondas no mar. Pode mudar de calma para agitada, tranquila para turbulenta em questão de minutos. Pode moldar e definir contornos, contornar e ocupar. Parada, vira foco de dengue.
A Terra, finalmente, passou a simbolizar a matéria, o corpo, a materialidade da realidade física construída, a estabilidade, a subsistência, a praticidade, a estrutura, a forma, a abundância, o pragmatismo, os pés no chão, as sensações físicas, os cinco sentidos; as pragmáticas, as que querem concretizar as coisas e as adeptas do ‘feito é melhor do que perfeito’. Terra é associada àquilo que eu vejo, toco, sinto, saboreio, cheiro, aos contornos e formas materiais que os cinco sentidos dão conta. Estável, firme, concreta, fértil, da terra tiramos subsistência. Pisar em terra firme, como dizem por aí, também é sinônimo de estabilidade.
Fogo e Ar se apóiam e complementam. Terra e Água, também.
A Terra aprende a não enrijecer através do contato com as emoções da Água. E a Água aprende a evitar dramalhões, se perdendo num turbilhão de emoções e sentimentos, com a orientação pragmática da Terra.
Já o Fogo aprende a refletir, a ponderar, a olhar e levar em consideração o outro através do Ar. E o Ar passa a agir com a convicção e o propósito do Fogo, mantendo a perspectiva de si mesmo e não se perder na opinião e nos valores dos outros.
PRA QUE SABER ISSO?
O propósito de compartilhar esse conhecimento aqui não é lhe incentivar a colocar rótulos em você mesma e nos outras pessoas. A intenção é lhe dar conhecimento, ferramentas, pra comprender a tessitura de um momento do tempo e os anseios mais básicos que nos formam.
Saber isso ajuda a compreender melhor, ampliar a visão, sobre nós mesmas e momentos que vivemos e atravessamos.
Lembrando que tudo se complementa e nada existe sozinho, nada e nem ninguém é um elemento ou outro. Nossa matéria é feita de uma combinação específica de todos eles.
Seguindo adiante, agora, vamos falar das modalidades, ou os ritmos. Se os elementos são a forma de ser e estar no mundo, os ritmos são o modo, o estilo, a maneira de se expressar.
MODOS DE ESTAR NO MUNDO
O conceito de Ritmos/Modalidades foi agregado mais tarde às camadas de simbolismo que formam os signos – não se sabe exatamente quando, mas na astrologia de Claudio Ptolomeu em Alexandria já estava presente.
São três os modos dos ritmos – Cardinal, Fixo e Mutável – e a existência deles está vinculada à ideia de começo, meio e fim. Cada um deles simboliza uma dessas etapas.
O ritmo Cardinal simboliza o começo, o princípio, e se expressa em ação, iniciativa, vontade, assertividade, impaciência.
O Fixo, por sua vez, representa o meio, a concentração do esforço, e se expressa em manutenção, continuidade, consistência, segurança, resistência.
Por fim, o Mutável é o fim, a dispersão necessária ao novo, e se expressa como movimento, aprendizado, adaptação, flexibilidade, versatilidade, instabilidade.
Os ritmos/modalidades são essenciais para compreendermos o significado dos signos e o papel deles como estágios dos ciclos da existência que a roda do Zodíaco simboliza.
LIGANDO PONTOS
Agora que você já sabe tudo isso, bora ligar os pontos?
Combine 4 elementos com 3 Ritmos e…
Tadá!
Você tem os 12 signos com suas características, sem que nenhum deles tenha a mesma constituição do outro.
Aliás, a palavra signo significa símbolo, sinal indicativo de alguma coisa. Sua origem vem de signuum, que quer dizer assinatura, marca distintiva, sinal de. Confere aí como fica a assinatura de cada signo, a partir da combinação do elemento com o ritmo/modalidade.
Deixei junto uma imagem que cada associação me remete. Se você pensar em outras, me escreve e me conta!
ÁRIES
Fogo Cardinal
O palito de fósforo que rompe a escuridão e inicia um incêndio.
TOURO
Terra Fixa
A terra fértil que quero cultivar e ver florescer.
GÊMEOS
Ar Mutável
Vento sem direção certa. Brisa que vai de um lado para outro.
Primeiros contatos, se relaciona com todas e todos.
CÂNCER
Água Cardinal
Fontes das águas e rios.
LEÃO
Fogo Fixo
A lareira que aquece a casa, a tocha que aponta a direção.
VIRGEM
Terra Mutável
A terra que nos doa o alimento (sua criação). A sabedoria da floresta.
LIBRA
Ar Cardinal
Corrente de ar direcionada. Relações escolhidas por afinidade.
ESCORPIÃO
Água Fixo
As profundezas das águas. O iceberg sob a superfície.
SAGITÁRIO
Fogo Mutável
A fogueira que aquece coletivamente.
CAPRICÓRNIO
Terra Cardinal
A montanha que escalo para chegar ao topo.
AQUÁRIO
Ar Fixo
Ar rarefeito. Relações seletivas, escolhidas por ideais e ideias.
PEIXES
Água Mutável
Os oceanos e mares.
Observe que há uma sequência padrão, cuja ordem é sempre Fogo, Terra, Ar, Água para os elementos e Cardinal, Fixo, Mutável para os ritmos/modalidades. Como tudo na astrologia, há um propósito nisso, e ele tem a ver com o que a roda do Zodíaco simboliza – o que eu explico nesse texto aqui.
Até o próximo encontro!
Imagem abertura: Bruce Christianson/Unsplash
