Com a ideia de ir além dos clichês zodiacais de cada dia, a prosa hoje é sobre o Zodíaco.
Você sabia que existem dois Zodíacos?
Aham.
Um deles é o Sideral, que tem as constelações como base e é usado na Astrologia Védica e para o cálculo das Eras Astrológicas.
O outro, o que você usa pra falar do seu signo e no horóscopo de cada dia, é o Tropical. Um que foi criado como símbolo dos ciclos da vida.
Sim, isso mesmo que você leu!
As características e arquétipos do seu signo e de cada um dos outros 11 são uma representação de uma etapa do ritmo primordial da vida: o cíclico, aquele com começo, desenvolvimento, declínio, fim.
Resumindo: o Zodíaco Tropical não é uma representação das constelações em si. Nananinanão. Mas sim, desse ciclo aí.
Em tempo: a palavra Tropical tem origem em Tropikó, que significa direção, movimento. No caso aqui, o aparente deslocamento do Sol em torno da Terra, que foi o que, depois de séculos de observação e chuvas meteóricas de insights, inspirou nossos ancestrais a criarem o Zodíaco como você usa, conhece e consulta.
Aliás, como construção cultural que a astrologia é, suas ideias são uma acumulação cultural do pensamento de povos com o grego, o babilônicos e muitas outras civilizações antigas.
Voltando ao Zodíaco…
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Nossos antepassados entenderam que a jornada do Sol ao redor da Terra representava a força formativa da vida, que é cíclica per se, e está presente em tudo que existe na natureza em nós. Uma que é sempre composta por quatro etapas: nascimento, crescimento, declínio e morte/fim.
E mais!
Que essa jornada aí também simboliza os diferentes estágios do ciclo de desenvolvimento de tudo na natureza e o da nossa psique, da consciência, do nosso subjetivo. O que também é conhecido como protomito, ou mito original, e que Joseph Campbell, centenas de ano depois, batizaria de monomito ou Jornada do Herói.
Aliás, isso explica porque os signos funcionam da mesmíssima maneira no hemisfério norte e no sul. Porque eles representam estágios de um ciclo universal de desenvolvimento, o protomito, e não as estações do ano em si.
As estações foram alegorias, metáforas, símbolos, que, antes que os gregos tivessem essa sacada, os ancestrais deles, extremamente conectados à natureza, usavam, correlacionando as transformações cíclicas que ocorriam na natureza à jornada do Sol em torno da Terra.
Pois então, experts nesse jogo de correlação de significados, nossos ancestrais observavam que a vida parecia adormecer nos períodos em que dias de maior escuridão predominavam, como no inverno. E que a vida voltava a se manifestar, florescer, vibrar e crescer quando a luz do Sol aumentava e irradiava, como na Primavera e no Verão. E assim, associavam o Sol à luz; e a Lua, à escuridão.
Dessa distinção aí, luz e Sol se tornaram símbolos da consciência, do que pode ser percebido; e a escuridão e a Lua, do inconsciente, do que não se percebe. E ambos passaram a simbolizar as duas forças formativas da nossa consciência. O que, aliás, desde os primórdios da civilização, em quase todas as culturas, nos mais distintos lugares e povos do mundo, foi representado em histórias e mitos.
Pra representar essa ideia, nossos ancestrais desenharam uma circunferência e dividiram seus 360 graus em 12 partes iguais. Feito isso, deram a cada uma dessas partes o nome de uma constelação, mais especificamente aquela que o Sol iluminava em cada etapa dessa sua aparente viagem em torno a Terra.
A cada uma delas foram correlacionando significados entre os movimentos dos astros no céu (os planetas, aqui representando forças arquetípicas universais), os eventos e acontecimentos na Terra (representando experiências) e os estágios de desenvolvimento e de consciência humana (representando a nossa subjetividade e complexidade). O que também mostraria, simbolicamente, a interdependência de tudo e todos no Universo.
Assim nascia o Zodíaco Tropical, sistema simbólico com muuuitas camadas de significado e sabedoria, e os signos nossos de cada dia. E a astrologia se tornava uma ferramenta para estudar a vida em nós, Sapiens. E nós Sapiens, na vida. Não é incrível?
Foi assim que Áries se tornou o grau zero desse grande círculo simbólico da vida que o Zodíaco representa, com suas características, comportamentos, mitos representando o primeiro estágio do ciclo universal de desenvolvimento. Sobre isso, eu vou conversar no nosso próximo encontro aqui. Até lá!
Imagem: Unsplash
