Era noite de Lua Cheia e eu ouvia U2.
A melodia de Love Rescue Me ressoava na sala. Passado um tempo, comecei a prestar atenção na letra da música. Como em um filme, as palavras que ouvia começaram a se desenhar e bailar à minha frente, evocando imagens.
Não era a primeira vez que isso me acontecia; músicas como Faroeste Caboclo, da banda Legião Urbana, e triste canção Last Kiss do Pearl Jam, que me levou às lágrimas em meio a uma aula de Inglês, já haviam provocado algo semelhante.
Impressionada, quis saber quem era o autor da música, pois não parecia apenas U2. Curiosa, fui conferir e…
Lá estava Bob Dylan, um artista com um talento singular pra expressar de forma sensacional o que já sentimos no ar, mas ainda não sabemos explicar. Suas músicas expressam anseios latentes no espírito do tempo e na alma nossa.
O que me encanta é que nada disso é planejado ou pensado. Simplesmente, flui. Em várias entrevistas, Dylan afirma que nunca compôs algo querendo ser porta-voz de coisa alguma, e que está apenas fazendo a sua música. E, assim, o cantor, compositor e Nobel de Literatura é genial.
Imagem: Weston Mackinnon/Unsplash
