Ontem, ao amanhecer, me estabaquei/estatelei no chão e bati a cabeça e o cotovelo.
Preocupada, às 7:30 estava entrando num pronto atendimento aqui perto e, uma hora e meia depois, saia de lá com uma faixa no cotovelo, um galo orgulhoso e dolorido na cabeça, o diagnóstico de trauma leve (nada grave) e uma requisição de tomografia.
Num plot twist e reviravolta incrível, o exame acabou revelando uma coisinha nada a ver com a queda. O que, acredito, possa ser mais uma das coisas “excêntricas” que acontecem comigo, como classificou o médico que me atendeu no ano passado, após eu engolir um pedaço de casca de ovo, esquecido na cuca deliciosa que eu saboreava no final de uma tarde num domingo feliz.
Definitivamente, tem coisas que só acontecem comigo!
Corre à boca pequena que, já que sou um contadora de histórias, é pra que eu tenha mais histórias pra contar por aí! Por isso, a partir do infortúnio de ontem, comecei no instagram uma série chamada Desventuras de Lila. A cada sexta-feira de #fbf, contarei uma desventura nova por lá (e aqui).
A primeira,é essa aí.
DESVENTURAS DE LILA | S1:E1 ‘Calcinha’
Já contei aqui que trabalhei como hostess num club/balada que operava por temporadas, no inverno e no verão.
Tenho um carinho tão grande por esse lugar que tanto me ensinou sobre comportamento, criatividade e entretenimento, que fiz questão de usá-lo como cenário na história da Babi no livro Num Sofá de Bolinhas – Amor & Terapia.
Pois foi numa temporada de inverno que vivi o causo que agora conto pra vocês.
O ano era 2000. Um fotógrafo já conhecido me procurou no balcão na portaria, pedindo ajuda pra sua pauta: fotografar calcinhas de mulheres na noite. Pediu pra fazer a minha. Jurou que não ia rolar identificação alguma na publicação. Dei risada e sem titubear respondi:
– Nem pensar!
Sai do meu posto junto à porta e fui pro camarote vip, conversar com alguma mulher que topasse. Na época, minha consciência e visão de mundo era outra, bem outra… Enfim, uma topou. Fomos para o banheiro da área vip e acompanhei tudo, pra garantir a segurança dela. Sim, ao menos isso!
Voltei ao meu posto e logo surge o fotógrafo e me diz que a foto não tinha ficado legal e pede, outra vez, pra me fotografar. Ele insistiu. E pediu mais uma vez. E de novo. E again. Até que concordei.
Fomos até o banheiro. Fiz a foto. E assim, minha calcinha de algodão estampada com ursinhos foi parar na revista Trip.
E, tempos depois, recebi esse email dos colegas.

Não me liguei que vestia um casaco de penas muito peculiar à época que poderia dar pistas de quem era a anônima fotografada.
Hoje, passados mais de 20 anos, vejo tantas nuances delicadas e perigosas nessa história que poderia ter tido outro desfecho. Né?! O fotógrafo não era um desconhecido e era um cara superlegal. Mas sabendo de tantos casos bizarros que acontecem com pessoas conhecidas, jamais teria feito isso e me arriscado assim.
Por fim, também me pergunto por que raios a pauta era mostrar mulheres desnudando-se ao invés de homens? Por aqui, tenho minhas suposições… e vocês?
Imagem : Nathan Dumlao/Unsplash
