“A música expressa o que não pode ser expresso em palavras e o que não pode permanecer em silêncio”
Victor Hugo
Eu já contei aqui a história de Under Pressure e a da Música das Esferas. E destaquei o quanto música e astrologia iluminam uma à outra.
Por exemplo, eu posso ficar horas falando pra vocês sobre a combinação arquetípica de Plutão e Saturno, o que ela simboliza e tal. Mas quando Under Pressure soar na caixa, você vai sentir reverberar em você, na batida e na vibração dela no seu corpo, o que essa combo simboliza. É assim que música e astrologia iluminam uma à outra: enquanto a astrologia conta, a música mostra – escritores entenderão a analogia.
Tem outra música do Queen em que isso fica bem claro – e que uso muito pra mostrar o simbolismo dos planetas e suas combinações. Falo da sensacional Bohemian Rhapsody. Logo no início, a balada que começa a canção, e que associo à Vênus, desperta um sentimento e uma percepção bem diferentes da parte opereta que segue, que é intensa, visceral, dramática, tensa, e que me faz conectar com a combo Plutão + Lua + Saturno.
Tudo muda outra vez quando a sequência hard rock irrompe numa espécie de clímax da tensão construída na opereta. Ela entra elétrica, explosiva, disruptiva, nervosa, chega chegando, e associo com a combo Urano + Marte. Essa associação fica ainda mais evidente na performance da música feita no concerto tributo à Freddie Mercury, quando Axel Rose entra rasgando e de surpresa no palco, e explodem fogos de artifício – uma outra expressão da combo Urano + Marte. Aliás, vimos duas manifestações bem distintas dessa mesma combinação em janeiro desse ano nos Estados Unidos: na invasão do Capitólio e no show de fogos na cerimônia de posse do presidente Joe Biden.
Essa parte da música também me remete à quadratura de Urano e Saturno, uma combinação que estava dando o tom do momento no período da gravação e do lançamento da música, lá em 1975, e que marcou o ano 2021 e segue mais um tempo em 2022. É a mudança repentina, urgente, que chega rompendo com o passado, com o que e como vinha sendo feito.
ACORDES DA VIDA
Os planetas são como notas musicais que, quando combinados, criam acordes – as combinações de sons/notas que geram uma qualidade tonal e criam a harmonia da música. O que os astros nos mostram é essa qualidade de um momento, o tom de um tempo.
Se o céu nos dá os acordes, o que eu, você e cada um de nós vai criar com eles? O que poderá fazer com os recursos que tem? O que vai compor (e dançar) com os acordes que o universo está dando? E como isso vai ser bom pra você e para os outros, para as demais pessoas? É sobre isso 2022.
Os símbolos dos planetas nos dão uma ideia do leque de possibilidades do que podemos experienciar e manifestar nos nossos dias. Mas como elas vão se desdobrar de fato, depende de você e das ferramentas que o contexto disponibiliza. Porque, o que você vai criar, compor e, depois, dançar com esses acordes, depende da sua consciência e do meio em que vive.
Aliás, tudo isso me faz pensar outra vez em Bohemian Rhapsody. Depois da visceral, dramática e intensa opereta e da quebradeira do hard rock, o que criaremos por aqui, juntos, será uma balada que expande e conecta os corações? Os acordes que o céu nos dá oferecem essa possibilidade. Mas expressaremos dessa forma? A resposta vem com outra música: only time will tell. Só o tempo dirá.
Imagem de abertura: Pascal Bernardon/Unsplash
