Minha constelação de mulheres que foram nada silenciosas ganhou mais uma estrela nesses últimos dias.
Foi preparando o primeiro encontro do Clube de Astrologia para Mulheres que conheci Margaret Burbidge, uma astrônoma e astrofísica cujo trabalho fez toda a diferença para seus pares, seu campo de estudo e para nossas consciências.
Ela esteve à frente da pesquisa que, em 1957, estudou a química das estrelas e descobriu que, assim como nossas irmãs cósmicas, somos todas compostas exatamente pelos mesmos elementos.
Foi a pesquisa liderada por essa mulher genial que nos fez entender que não somos só poeira de estrelas, como se costuma dizer.
A descoberta de Margaret nos mostrou que somos feitas dos mesmos elementos das estrelas. Que somos nada distintas, diferentes, do que está ‘lá em cima’! Que somos estrelas em forma humana.
E que, assim como a gota carrega o oceano inteiro dentro de si, como ensina Rumi, nós (e as plantas, os animas, as rochas, e todas as formas de existir) carregamos o universo inteiro dentro de nós! 💫
Não é lindo, isso?
Saber que somos todas e todos feitos dos mesmos elementos muda e muito a nossa consciência! E adicionou mais uma pá de cal na ideia de hierarquias e diferenças entre nós, seres da Terra.
Se isso já não fosse o suficiente pra me fascinar por essa mulher, conhecer sua história só fez a admiração escalar.
Como muitas outras mulheres de sua época na ciência, Margaret teve que enfrentar todas as barreiras que os homens impunham ao trabalho de mulheres. E, provando que as mulheres, mesmo sofrendo toda forma de silenciamento, jamais foram silenciosas, ela conseguiu encontrar brechas e arrumar uma maneira de fazer sua pesquisa!
Pra ser aceita no observatório Mount Wilson, na Califórnia, ela e o marido, que era físico teórico, tiveram que inverter seus interesses. Assim, ela conseguiu entrar em uma vaga como teórica, e ele conquistou a vaga no observatório que ela tanto almejava. E para a qual já havia sido recusada duas vezes.
Como “assistente “ do marido, Margaret teve acesso aos telescópios e toda infraestrutura para conduzir sua pesquisa revolucionária. 💫 TFoi assim que ela, junto com o marido e os colegas astrônomos William Fowler e Fred Hoyle, publicou o artigo detalhando as origens dos elementos químicos e a nossa conexão com as estrelas.
Como se tudo isso não bastasse, tem mais ainda!
Defensora ferrenha da igualdade de reconhecimento e de direitos das mulheres, Margaret ousou recusar uma premiação concedido apenas à cientistas mulheres pela Sociedade Astronômica Americana em 1971.
Em sua recusa à organização, Margaret alegou que era mais do que hora de que a discriminação às mulheres na vida profissional fosse removida. E que uma premiação restrita às mulheres era uma forma de discriminação.
Para ela, enquanto as as melhores cientistas recebiam prêmios de menor importância, elas eram preteridas e ficavam de fora de premiações e cargos mais prestigiosos. Tempos depois, ela seria premiada com a mais alta honraria da Sociedade Astronômica Americana, o Henry Norris Russell Lectureship.
Histórias com essa me lembram, sempre, das aulas de História das Mulheres com minha amiga e teórica Suzana Veiga. Como a Su nos mostra em seu curso, as mulheres jamais foram silenciosas, cruzaram os braços e aceitaram a opresao sme resistência. E sempre, sempre, mesmo, encontraram brechas para agir. Margaret é mais um exemplo disso.
Imagem: Jon Tyson/Unsplash
