Em julho do ano passado, escrevi um conto YA (Young Adult) que bem poderia ser enredo de filme de Natal na Netflix. Afinal, ele é bem levinho e toda a ação da história se passa entre os dias 21 e 25 de dezembro numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul.
A história começa com Olívia, a protagonista de Amor de verão não desce serra, reencontrando, inesperadamente, o namorado que foi seu primeiro amor e que arrasou seu coração dez verões atrás. Sim, bem clichê como todo filminho de Natal.
A partir daí, ela relembra o Natal de 2012, quando a dupla se conheceu na pequena e pacata São Marcos, cidade da serra gaúcha, onde Olívia viveu boa parte de sua vida, após a morte dos pais num acidente de carro.
Morando em Porto Alegre há menos de um ano, Olívia chega emocionalmente quebrada para o Natal com a avó, após ter um segredo seu exposto em rede social por colegas de cursinho pré-vestibular.
É nesse clima que essa jovem protagonista conhece Lorenzo (e antagoniza com ele), ao visitar o túmulo dos pais no cemitério. Sim, usei o tropo haters to lovers (inimigos a amantes) na construção desse romance que vai acontecendo em encontros no cemitério.
INSPIRADAS NA VIDA REAL
A avó de Olívia, Dona Domi, é astróloga e cultiva ervas e plantas, motivo mais do que suficiente para ser taxada de bruxa, esquisita, maluca e adjetivos similares que são dados às mulheres que quebram padrões. Algo que ela e suas irmãs sempre fizeram.
Já a irmã de vó Domi, a tia Adiles, teve sua caracterização inspirada numa tia-avó minha. Já seu comportamento transgressor foi absolutamente baseado na história real de tia Chinoca, a tia avó da artista visual Tati Garcia.
Tia Chinoca, me contou Tati, foi quarta mulher a ter CLT no Rio Grande do Sul. Ela trabalhava numa fábrica de calçados e tudo ia bem. Até que, certo dia, seu noivo lhe deu um ultimato: ela deveria escolher ele ou o emprego. Ficar com ambos não havia como, já que mulher dele não trabalhava.
Diz que Tia Chinoca não pensou duas vezes. Devolveu a aliança, rasgou a foto do futuro casal, guardou seu lado do retrato e preferiu ficar solo do que mal acompanhada.
Quando Tati me contou a história dessa sua tia avó, fiquei fascinada. Meses depois, pedi a ela autorização para usar esse fato no backstory da personagem tia A no conto que eu escrevia.

Como a trama do conto se desenrola entre os dias 21 e 25 de dezembro, até o dia de Natal você poderá baixar e ler gratuitamente Amor de verão não desce serra. Clica nesse link, baixe o ebook na amazon e boa leitura!
Ah, e depois me conta suas impressões.
