Essa semana tive uma ideia que já comecei a lapidar: criar um Clube de Astrologia para Mulheres.
A ideia é que ele seja um círculo, uma roda de conversa. Um encontro para que possamos ter contato com uma outra forma de se relacionar com a astrologia e o mapa astral.
Essa nova forma, que imagina e pensa a astrologia e seus arquétipos de um jeito inovador, que desafia e questiona pressupostos que aí estão. E que convida a olhar para planetas, aspectos e o mapa em si sem as lentes patriarcais e a partir da intersecção da nova cosmologia, do feminismo e do universo dos arquétipos.
A NOVA COSMOLOGIA
Como conto no livro Reviravolta no Céu – uma revisão feminista da astrologia, a nova cosmologia revolucionou o conhecimento, trazendo todo um novo entendimento sobre o funcionamento do universo. E isso impactou a nossa consciência coletiva feito tsunami!
Talvez a maior de todas seja a noção do espaço-tempo e como ele tece a realidade de uma forma muito diferente do que pensávamos, nos instigando a aprender a pensar o mundo não como algo que muda no tempo, mas como algo que é a possibilidade de mudança em si.
E o que isso tem a ver com a astrologia e seus ciclos?
Tudo!
Pra começar, ele acaba com a ideia de previsibilidade, que é substituída pelo conceito das possibilidades de desdobramento. Para cada encontro de planetas, há um leque de possíveis resultados. Uma paleta de possibilidades de manifestação!
Qual delas vai se concretizar na sua vida, dependerá da sua consciência e do seu contexto. Ou seja, das relações (com informações, pessoas, causas, etc) que você tem naquele momento. Porque tudo está interconectado e muda o tempo inteiro!
Um determinado acontecimento/desdobramento que ocorreu no passado não vai obrigatoriamente se desdobrar da mesma maneira hoje ou no futuro. Porque, no universo de possibilidades que ele apresenta, a que hoje vai predominar pode ser outra.
Ou seja, não há como prever antecipadamente como algo vai se concretizar. O que sabemos são as possibilidades de desdobramento.
E é exatamente aí que reside toda a beleza e transformação da nova cosmologia! Porque ela traz agência, participação e corresponsabilidade.
O FEMINISMO
Estudar a teoria feminista, por sua vez, me fez entender o quanto e como boa parte da nossa percepção, como diz a historiadora Suzana Veiga, “é embotada por uma construção milenar chamada patriarcado”. A astrologia não foge à regra, como mostro em Reviravolta no Céu.
Foi com as teóricas feministas que eu compreendi o quanto esse conhecimento precioso e incrível que é astrologia foi “sendo moldado pelo patriarcado, esse sistema que operou e opera subalternização das mulheres, pensado e aplicado na realidade”, como diz Suzana no prefácio do meu livro, a fim de cristalizar a inferioridade feminina e a superioridade masculina no nosso universo simbólico também.
Por fim, o feminismo também me fez compreender que esse é um universo cheio de possibilidades de reconstrução, de recomposição. A partir do questionamento e da construção de novas narrativas instigadas pelo afeto que revoluciona, que nos move e nos tira do lugar comum.
OS ARQUÉTIPOS
O mergulho no estudo dos arquétipos com Caroline Myss, em 2018, mudou minha forma de entender o mapa astral e transformou muito meu astrologar. A partir do encontro com essa mestra, fui dando cada vez mais protagonismo aos planetas e refinando meu olhar sobre a astrologia arquetípica.
A maior mudança foi usar mais a linguagem dos arquétipos, das suas manifestações, pra que o significado dos planetas reverbere e faça sentido para as pessoas. Usar essa linguem nos faz jogar luz no que nos atravessa e faz perceber melhor aquilo que já está em nós, mas não conseguimos nomear.
Pra mim, essa abordagem provoca um “poxa, é isso!”
Os arquétipos nos fazem compreender melhor o que nutre a alma com significado e sentido e, portanto, nos dá força, potência e agência. O que ajuda a reconhecer possibilidades e nos movermos na direção das que fizerem mais sentido pra cada uma de nós.
UM CLUBE, A NOSSA VOZ
É da intersecção desses três saberes que proponho essa nova narrativa, cujo propósito é ampliar sua percepção sobre você mesma, o mundo e seus momentos de vida. Ou seja, ampliar sua autopercepção e autoconhecimento.
É isso que eu quero com esse Clube: criar um círculo de mulheres, uma comunidade que use a astrologia para ampliar sua percepção de mundo, de si mesma e dos acontecimentos no seu entorno. Com isso, quero oferecer a mais e mais mulheres uma ferramenta que lhes ajude acessar a potência de suas vozes mais genuínas e autênticas – essa que, tantas vezes, nos fazem desacreditar.
Em breve, creio que na semana que vem, trago novidades, datas e o clube formatado. Estou superanimada, gurias!

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