Dia 11 de abril, fará um ano que Reviravolta no Céu – uma revisão feminista da astrologia foi lançado.
Vê-lo sendo lembrado nesse 8M, um dia de conscientização e de demanda por mudanças, foi uma baita alegria e fez meu Dia Internacional da Mulher ter um gostinho diferente.



E o que dizer dessas palavras da jornalista Sílvia Marcuzzo sobre meu trabalho em sua coluna de sexta-feira na plataforma Sler?


Por fim, transbordei ao ver Reviravolta no Céu numa mesa só de autoras mulheres na Livraria do Bosque, em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo. E bem ao lado de uma obra que é referência para mim e é de um dos ícones do feminismo, a maravilhosa bell hooks – uma das autoras cuja voz me guiou na criação da astrologia mulheril. Olha só!
Realmente, foi um 8M muito lindo pra mim e para o Reviravolta no Céu, livro que nasceu do meu desconforto com as narrativas astrológicas, principalmente depois que eu encontrei o feminismo.
Nele, eu conto como passei a questionar e pesquisar as narrativas usadas na astrologia e, ao constatar que essa ferramenta tão potente foi construída e lapidada com valores bem patriarcais, me inquietei.
Eu conto como esse processo me levou a mergulhar nas origens da astrologia e visitar áreas como o feminismo, a nova cosmologia e a mitologia, me fez questionar narrativas que são perpetuadas no universo simbólico há milhares de anos e, ainda, a propor uma nova forma de ver e entender o ser humano e sua maneira de estar e se relacionar no mundo.
Publicado o livro, eu passei a me perguntar como seria essa outra narrativa da astrologia, livre dos valores patriarcais. A partir desse novo questionamento, o processo seguiu se desdobrando, me levou ao encontro de um outro paradigma (falei sobre ele nessa news e culminou com a criação das mulheres ancestrais e da astrologia mulheril).
Mudar de paradigma é transformar a nossa percepção de mundo, da vida, do universo. E, quando isso muda, também vai mudar a relação que temos com nós mesmas, com os outros, com os demais seres.
É incrível e potente demais observar como isso vai acontecendo, conforme fazemos contato com os símbolos e narrativas dessa outra percepção de mundo – o que tenho vivenciado intensamente nas aulas do Mundo adentro, Céu afora. Os relatos que venho recebendo das participantes são de arrepiar!
Aliás, registro aqui toda a gratidão e admiração que tenho por essas mulheres sensacionais, que toparam fazer essa incursão mundo adento e céu afora comigo e pioneiraram a astrologia mulheril ao meu lado no curso. Foi emocionante vivenciar isso tudo com vocês, suas lindas!
Como o simbolismo de cada mulher ancestral foi construído a partir desse outro paradigma, que tem uma narrativa mulheril e não mais a patriarcal, cada uma delas simboliza uma outra maneira de se relacionar com a nós mesmas, com os outros, com a vida e, principalmente, com essa força que cada mulher/planeta simboliza na nossa psique.
Veja o caos de Venusa (Vênus), por exemplo.
Na astrologia mulheril, ela não é reduzida ao amor romântico, à beleza estética, a boy toy. Ela é a bússola que guia a alma, que mostra que aquilo que nos mobiliza, que amamos e desejamos, tem valor para nós, já que traz significado para a nossa existência aqui – e também contribui para a história muito maior da qual também somos participantes.
Essa compreensão muda completamente a nossa consciência. E isso transforma tudo!
Se a escrita e publicação do Reviravolta no Céu: uma revisão feminista da astrologia foi a primeira onda desse movimento de revisão feminista da astrologia, após o seu lançamento, em abril do ano passado, começaria a segunda onda desse processo, com a tessitura de saberes que me levaria à criação da linguagem da astrologia mulheril, a partir do novo paradigma de cosmos, que nos entende participantes ativos e engajados na vida e na evolução do universo. E que também propõe outras formas de nos relacionarmos entre nós, com a Terra e os outros, orientadas por justiça, êxtase, conexão, prazer, reciprocidade, igualdade e amor.
Estou vivendo esta segunda onda hoje e me pergunto qual será o estágio dela no próximo 8M.
