Imagem: Maria Malone/Unsplash
Saturno é todo foco disciplina, silêncio, flow. Por isso, dedique toda a sua atenção ao executar suas tarefas – das mais singelas como lavar a louça e pintar um glifo de planeta aqui, até as mais elaboradas como gerenciar uma crise e administrar uma empresa ou corporação. Mindfulness é uma prática de conexão super saturnina.
O estado de flow/fluxo também é bastante saturnino. Algo que ‘acontece quando a energia psíquica, ou atenção, é investida em metas realistas, e as habilidades se combinam com as oportunidades de ação. A tentativa de alcançar uma meta dá um foco na atenção porque a pessoa tem de se concentrar na tarefa em pauta e momentaneamente esquecer tudo que a cerca’, como explica o professor de Psicologia e Educação da Universidade de Chicago, Dr. Mihaly Csikszentmihalyi, o cara que criou o conceito. Como já diziam os mestres chineses milhares de anos antes, na quietude e usando toda a concentração atingimos nossos objetivos. Em absoluta concentração e imersão. E assim, entre um flow e outro, a vida vai se materializando, concretizando, acontecendo de fato.
Saturno simboliza a força da realidade, da gravidade, a que nos coloca no chão e nos aterra no presente. Por isso, ele representa o mundo material, o tempo, a tradição, o passado e o passar do tempo, o envelhecer, a morte, o fim das coisas. E, ainda, a estrutura, os limites, a disciplina, o comprometimento, o foco, as consequências das nossas atitudes e escolhas.
Saturno é também o Grilo Falante em nós: “Vai com cuidado! Tem certeza? É bom mesmo? Pensa bem!” A voz da consciência que alerta quando estamos pegando uma estrada errada, quando fazemos escolhas equivocadas que comprometem as estruturas da nossa vida e a nossa alma. E que vamos arcar com as consequências das nossas escolhas e atitudes. A coragem moral de assumir total responsabilidade por nossos atos e escolhas.
Claro que, em excesso, esse cuidado pode se tornar medo, nos devorar e paralisar. E, depois, nos encher de culpa.
Saturno simboliza como vamos estruturar a nossa realidade de forma que ela sustente o que acordamos com a vida fazer por aqui e assim entregar o que nos cabe ao coletivo.
É também símbolo do comprometimento com nossas tarefas e desafios. Do fazer o que é necessário e nos cabe, a fim de assumir a nossa autoridade e responsabilidade pela criação que estamos entregando para a vida. Se está ou não em total comprometimento com a orientação da alma, com o contrato que assinamos com a vida. Porque é atitude por atitude, escolha por escolha, tarefa por tarefa, opção por opção, que vamos criando a realidade nossa e a coletiva por aqui.
‘Tudo o que se faz, dá forma ao que somos’
Martin Schulman
Talvez por isso muitas pessoas façam de Saturno o bode expiatório de todos os males do mundo. Julgam e lhe apontam o dedo como o grande culpado de quase tudo que é ruim e pesado, e rotulam esse planeta de maléfico, Senhor do Carma e das limitações, do medo e da solidão.
Aliás, o impulso que Saturno simboliza provoca uma auditoria interna a cada sete anos e outra ainda maior a cada 28 anos. Nesses períodos, surge uma questão que não cala na consciência: essa é a sua vida hoje e esse é o contrato que você assinou com a vida antes de vir pra cá, e que lhe fez ser exatamente assim. E aí? Tá dando match entre o contrato e a realidade? Nem sempre isso acontece. E aí, a crise desponta.
Uma sugestão de prática saturnina: escreva uma carta para as antigas figuras de autoridade de sua vida, aquelas que lhe passaram crenças que ainda tentam engolir você (e a sua verdade) hoje. Comunique que você está se desligando e abandonando as mesmas, pois você tem uma enorme responsabilidade e compromisso de viver o que você acordou com a Vida. Isso é o que lhe dá autoridade. Faça isso ao melhor estilo Saturno: sozinho, em silêncio e completamente absorto na tarefa.
