Vou me atrasar.
Pensava Ella, enquanto aguardava o semáforo abrir e listava tudo que tinha a resolver naquela tarde. Assim que o sinal ficou verde, arrancou. E a rua começou a girar. Antes que se desse conta de que era ela e não a rua que girava, uma dor comprimiu seu peito e atravessou-lhe os pulmões, roubando seu fôlego. Antes de apagar, ainda sentiu o filete morno e viscoso escorrendo em sua têmpora.
Ao abrir os olhos novamente, ficou surpresa com a leveza que sentia e assustada com o que via: o seu próprio corpo inerte, coberto de sangue, esvaindo-se de vida, em meio a um terrível acidente que congestionava uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Pra deixar tudo ainda mais estranho, começou a ouvir frases do nada.
Ai, não! Lá se vai meu horário de almoço.
Era tudo que eu precisava hoje! Um acidente pra me atrasar. Que merda.
Já vi que vou perder a aula de pilates. Será que consigo recuperar?
Que saco, isso! Todo o dia um acidente pra atrapalhar.
Logo percebeu que as palavras vinham de motoristas dos carros ali parados. E mais reclamações sobre a inconveniência do acidente foram somando-se aos deles. Em meio à cacofonia de lamentos que crescia, uma luz saindo de um carro não muito distante de onde seu corpo inerte estava chamou-lhe a atenção. Essa luz deslocou-se ao local do acidente e formou uma espécie de arco luminoso sobre o seu carro destruído, alcançando seu corpo inerte.
Que raios seria isso?
Assim que se questionou, Ella se viu parada ao lado de um carro, onde a mulher sentada à direção estava de olhos fechados e mãos unidas, fazendo uma oração por ela, por sua vida. Surpresa, perguntou-se quem seria essa desconhecida que orava por ela.
Tão logo pensou nisso, a placa do carro da mulher surgiu diante dos seus olhos. E assim que leu as letras e números, uma voz lhe sussurrou baixinho: “você precisa voltar para o seu corpo.“
Imediatamente, ela apagou. E acordou uma semana depois, na cama do hospital.
– Foi um milagre – repetiam todos que lhe contavam a gravidade do acidente.
Oito meses depois, já recuperada e ainda com a placa do carro em mente, Ella começou uma busca e conseguiu encontrar o endereço da mulher que rezara por ela. Comprou flores e, sem medo de parecer maluca ou estranha, foi até a casa da protagonista daquela atitude que não lhe saíra nem da mente, nem do coração, naqueles meses todos. Bateu à porta e quando essa se abriu, lá estava a mulher que orara por ela, por sua vida. Ella, então, agradeceu as preces que lhe salvaram a vida.
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A estória de hoje é baseada em uma história verídica, uma das muitas que ouvi Caroline Myss contar em seus workshops, e que sempre me emociona e inspira pela potência da oração e da generosidade e da compaixão e cuidado com um desconhecido. Compartilho aqui, pois me impactou muito. Desde que ouvi essa história, passei a fazer a meta meditação da compaixão com mais frequência e, também, uma oração linda que aprendi com Caroline com o propósito de fazer o bem, sem olhar a quem. Viva o poder da história de nos inspirar novas atitudes! E da compaixão e da oração com o coração.
