Acho fascinante como o céu, com seus ciclos e movimentos, está sempre nos falando sobre a natureza impermanente e mutável da vida. Sobre finais e (re)começos. E nos convidando a abraçar e a participar das mudanças que a vida propõe e o céu lindamente reflete, desse movimento contínuo que vai criando a tessitura da vida por aqui.
Muitas mulheres, que estão atravessando ou testemunhando amigas e conhecidas viverem períodos de intensa mudança e profunda transformação, tem me perguntado: tem alguma coisa acontecendo no céu? Só pode ter!
Tem, sim, respondo.
Mas o céu não causa nada!
Não é ele que vem causando. É a vida!
Como um espelho que reflete o espírito do mundo e o de cada uma de nós, o céu não provoca nada, apenas reflete linda e encantadoramente o que pulsa no inconsciente coletivo e nas profundidades da psique de cada uma de nós.
Ele reflete os anseios e vontades que nos atravessam e aqueles que sentimos, mas não conseguimos nomear.
Ele espelha os desafios que a vida nos lança, assim como as bençãos, as ferramentas incríveis que temos à nossa disposição para atravessá-los.
Ao refletir tudo isso, o céu nos oferece uma linguagem e uma ferramenta para reconhecer, compreender e nomear os convites que a vida nos faz nesse processo contínuo de crescimento que ela é. Um ciclo após o outro.

Atualmente, vivemos todos sob um céu que reflete que é tempo de mudanças. De transformações. Transmutações. E nem precisa da astrologia pra SENTIR isso nos atravessando, né? Basta estar vivo e respirando nesse planeta!
Nessa primeira Lua Cheia do outono no Sul Global e da Primavera no Norte, eu desejo que essa celebração de renascimento que é a Páscoa lhe inspire confiança, esperança e coragem para bailar com o caos e se entregar às mudanças que baterem à sua porta.
Pensando nisso, deixo aqui trechos de um dos primeiros textos que enviei aqui para você, no qual falei sobre as borboletas. Sejam elas uma inspiração para nós!
… movidas por um desconforto e ainda sem conseguir nomear e reconhecer a mudança que nos atravessa, passamos a buscar algo que faça sentido para o que experienciamos e vivemos.
Sabendo que vai viver esse processo de metamorfose, a lagarta faz uma limpeza.
A lagarta coloca pra fora o que é desnecessário e ruim para poder se metamorfosear. Ela abre mão da identidade que carregou até ali sem saber exatamente o que virá pela frente e no que vai se transformar.
(eis o que é dançar ar com o caos e com a vida!)
Feito tudo isso, a lagarta se liquefaz. Ela vira uma espécie de caldo, mantendo apenas algumas estruturas essenciais e também as memórias dos seus dias de lagarta
Fico fascinada ao perceber a semelhança com os nossos processos de mudança. Assim como as lagartas, antes que a transformação final aconteça, precisamos mudar a nossa consciência. E tal qual elas, guardamos as memórias e os traumas vividos. Ressignificamos, mas não esquecemos.
Que capacidade a lagarta tem de confiar na promessa da sua visão, do seu sonho.

Pra finalizar, compartilho aqui o trecho de um texto antiguinho, no qual escrevi o seguinte:
Admiro muito quem consegue morrer para renascer.
Reverencio aqueles que têm determinação e força para abandonar o velho e conquistar o novo. Os que conseguem reinventar a si mesmos, levando em consideração a sua natureza e aquilo que lhes é verdadeiro.
Transmutar. E, assim, renascer.
Feliz Páscoa!
Um beijo,
Lila
