A escrita do livro Reviravolta no Céu, que levou à criação das figuras de deusas do céu no lugar dos planetas e da Astrologia Mulheril nunca foi só sobre uma troca de nomes.
Sempre foi sobre fazer da astrologia ferramenta de libertação, autonomia, transformação e autoconhecimento na prática – conexão, confiança, pertencimento, soberania e autonomia espiritual e simbólica.
Sempre foi sobre “depratriarcalizar” o imaginário, criando novas narrativas para os arquétipos dos símbolos astrológicos, mantendo a essência dos seus significados universais e eliminando as ideias nelas contidas que perpetuam hierarquias e opressões nas relações.
Sempre foi sobre criar uma linguagem a partir de um olhar e entendimento de mundo feminista e feminino e disponibilizar ao nosso imaginário novas figuras simbólicas para ajudar a recompor o seu solo, desnutrido e esterilizado por milhares de anos de narrativas patriarcais que nos separaram da (nossa) natureza e apostaram no medo como forma de controlar – a Terra, o ambiente, nós-mulheres, o outro.
Sempre foi sobre mudar consciência, já que a astrologia mulheril oferece uma percepção de mundo, da nossa existência e da nossa relação de reciprocidade com a Terra, com o universo, com nós mesma, com as outras pessoas e espécies centrada numa visão cosmológica que nos mostra que causa e efeito é menos “isso causa aquilo” e mais o resultado da trama que tece a rede das relações de interconexão em um determinado momento – o que hoje é de um jeito, amanhã, pode ser de outro.
Foi isso que me fez escrever a fábula sobre Dona Astrô e sua revolução feminista no céu – que você pode ler nesse link aqui – e me debruçar sobre os arquétipos planetários, para extrair a essência deles e deixar para trás o que as estruturas patriarcais dominantes de diferentes épocas e culturas atribuíram a eles, a fim de perpetuarem seu poder sobre o nosso imaginário.
Foi isso que me fez visualizar os planetas dentro do círculo do zodíaco como uma roda de mulheres sagradas e apresentá-las numa relação de parceria, troca, corresponsabilidade, cocriação e cooperação; e não mais na relação de hierarquia, medo e opressão que se tem desses símbolos. Foi isso que me fez visualizar os planetas como astrodeusas, como forças cósmicas que interagem e dialogam conosco numa visão relacional e não mais numa imposição de destinos e vontades dos deuses.
É isso que me faz seguir aliando sabedoria ancestral e inteligência cosmológica para criar imagens simbólicas que deem conta de explicar o mundo que nos cerca e transmitir conhecimento que mostra como a potência e a magia das forças que forjaram o universo inteirinho também nos formam e estão dentro de nós. E que não apenas somos feitos da mesma matéria das estrelas, mas o nosso funcionamento, nosso modus operandi, é exatamente igual. Mais do que nunca, creio eu, precisamos dessas sabedorias para criarmos uma nova forma de habitar a Terra e viver nesse mundo lindo e mágico.
