E se nós tivéssemos sido ensinadas, desde criança, a seguir o que nos fascina, como seria?
Acredito que a vida seria mais descomplicada, que não ficaríamos tão perdidas com as coisas enquanto indivíduos, seres e coletividade. Se fôssemos ensinadas desde cedo que aquilo que nos fascina, encanta, desperta desejo de estudar, saber mais, conhecer, experimentar, se aproximar, assim é porque traz significado pra alma, creio que seríamos até mais felizes. E leves.
Acho que a nossa vida seria tão menos complicada, teria menos bagagem e peso a carregar, e até nos daria mais clareza e direção diante dos desafios e perdas. Mas, como temos conexão nenhuma com essa parte nossa, a gente fica perdida, desperdiça tempo e se perde.
Falo por mim. Pelo que vivi e pelo que testemunho em leituras de mapas.
Pra mim foi assim por tanto tempo – sempre buscando fora, porque não tinha aprendido a ouvir essa parte nossa que é uma grande bússola, e que é a alma.
Foi essa busca que me fez compor a leitura do mapa como uma forma de conexão com essa parte nossa, que é uma bússola e tanto, via consciência! Essa que dialoga com a gente através da dos sentimentos, dos insights, da intuição, voz interior que associo ao arquétipo da mulher sábia que nos habita e guia.
Acho tão sintomático da nossa cultura patriarcal mecanicista a dificuldade que temos de entender a intuição e como ela opera. O quanto confundimos a intuição com a voz do sabotador, funciona 24/7 abastecendo com histórias a nossa mente, nos confundindo e levando a escolhas que não nutrem a alma, nem a nós, portanto. E que só nos deixam secas, vazias, áridas por dentro e por fora.
Assim que a intuição sussurra, o sabotador imediatamente entra em ação e começa a falar contra, a se opor e minar a orientação dada pela alma, por essa nossa bússola. Nessa batalha, infelizmente, quase sempre o sabotador leva a melhor, em função da nossa socialização que o alimenta e nutre com diferentes dogmas e ‘tem que’ da nossa cultura e os meios que habitamos.
Essa é uma voz que jamais vamos calar. Infelizmente. Afinal, ela também faz parte da nossa natureza humana, assim como a alma. Mas podemos aprender a reconhecê-la, entender como ela fala conosco, os gatilhos que ela aperta e aciona, e encontrar formas de diminuir seu volume.
Eu aprendi a conhecer bem o meu sabotador. Toda artista, escritora, pessoa que se lança numa atividade autônoma que exige confiar nessa bússola, conhece bem o sabotador. Não são poucos os relatos que ouço e me fazem cada vez mais conhecedora da sua existência.
Em 2018, lendo Contratos Sagrados, de Caroline Myss, onde a autora apresenta o Sabotador, e A Guerra da Arte, em que Steven Pressfield chama essa parte nossa de Resistência, pude finalmente nomear essa parte que habita a nossa humanidade.
Foi aí, após esses encontros, que a minha leitura de mapa começou a mudar. E que eu comecei a mergulhar mais e mais nos arquétipos, até chegar no modelo que faço hoje, que chamo de Mapa da Alma – que também tem influência das lentes da nova cosmologia e do feminismo.
Usar as imagens dos arquétipos como o Sabotador é uma ferramenta de autopercepção maravilhosa!
Suas imagens e histórias nos incentivam buscar referências no nosso repertório pessoal. Pra mim, o sabotador pode ser o Barba Azul predador que Clarissa Pinkola Estès nos conta em Mulheres que correm com os lobos. Ou a Resistência de Steven Pressfield destrincha tão, tão bem!
Nesse final de semana, vi isso acontecer mais uma vez com uma querida que fez leitura de mapa comigo. Ela trouxe uma imagem arquetípica potente e linda da mulher sábia e forte dela, a que escuta a intuição e se contrapõe ao Sabotador, e diminui a voz cruel e implacável dele.
É tão lindo e potente isso!
O mesmo acontece com outros arquétipos sobre os quais vamos conversando no mapa. Esses insights vão surgindo com os arquétipos!
Com o Clube de Astrologia para Mulheres, que inicia amanhã, o propósito é disseminar e disponibilizar essa ferramenta de autopercepção e autoconhecimento para mais mulheres.
Com o Clube, quero propiciar esse tipo de conexão, percepção e relação com a nossa alma, essa nossa bússola na vida, de uma forma profunda, mas lúdica, leve e descomplicada. Conversando, contando histórias, usando imagens e música, trocando percepções, pra ir reconhecendo, nomeando e se relacionando com a nossa natureza, a nossa alma. E “sendo mais quem já somos”, como diz Sally Hogshead no seu livro How to Fascinate, livro que conheci lá em 2016, através da Jaque Girardi-Pauly.
Sendo o que somos, seguimos o que nos fascina. Florescemos a partir do que alimenta a alma com significado, como que de fato tem valor pra ela e pra nós. E assim, fascinamos outras almas e corações, e tocamos positivamente o mundo. ❤️⚡️
Imagem: colagem linda da amiga Lidy Araújo
