Ontem, caminhando pelas ruas aqui do bairro com um vaso com manjericão em mãos, me surpreendeu como ele atraiu a atenção das pessoas. Essa experiência me fez pensar na personagem vó Domi do conto amor de verão não desce serra, o conto YA que escrevi em julho para particiapr do #premioConto23 da amazon.
Em amor de verão não desce serra, Olívia reencontra seu primeiro amor volta ao passado, num dia abafado de verão em Porto Alegre. Há uma década sem vê-lo, ela volta ao momento em que tudo começou, num encontro nada romântico no cemitério de uma pequena cidade na serra gaúcha, após um segredo seu viralizar.
Avó da protagonista, Dona Domi é astróloga e cultiva ervas e plantas, razão pela qual é apontada, na pequena cidade onde vive, como bruxa, maluca, louca, estranha e esses adjetivos aí que dão para mulheres que quebram padrões. Algo que ela e suas duas irmãs sempre fizeram.
Tô amando criar esse universo e nele colocar mulheres que subverteram as regras e o status quo patriarcal numa época em que isso era nem tão comum. Mulheres que já defendiam sua autonomia.
Criei vó Domi inspirada numa senhora que conheci em minha infância. Ela morava numa casa rodeada por árvores, num terreno repleto de plantas. Eu amava ir à casa dela com minha mãe. Era um lugar mágico para a minha imaginação fértil – eu jurava que lá moravam duendes e fadas. Não lembro se ela era viúva ou desquitada à época, mas recordo bem os narizes torcidos e o que a chamavam: bruxa, velha maluca, louca eram algumas das palavras utilizadas. As mesmas que, no conto que publiquei, as pessoas da pequena e pacata cidade usam para descrever a avó da protagonista.
Escrever essa história para participar do #PremioConto23 foi o catalisador para voltar a escrever (já estou trabalhando no próximo romance que vai ter a Oli dos dias atuais como protagonista). E, também, para consolidar uma nova rotina craitiva offline. Aliás, por isso, desapareci e sequer avisei. Foi mal, gurias.
Eu queria ter compartilhado antes, ter contado o que eu vinha criando, como as músicas que eu escutava enquanto escrevia me sintonizavam com a Oli e sua história, como o processo criativo foi acontecendo. Mas não rolou. Não consegui. Precisei colocar todo meu foco na consolidação da escrita e da minha nova rotina offline.
Não se o que vai acontecer com amor de verão não desce serra, mas escrevê-lo e publicá-lo já fez uma diferença incrível na minha vida. E no relacionamento com a minha artista interior. Esse prêmio, ele já conquistou.
Amor de verão não desce serra está disponível na amazon. Confere lá e depois me conta!

