A frase me recebe quando eu chego no Pacífico Instituto no bairro Floresta, em Porto Alegre, pra essa entrevista com Felipe Rech, umas duas semanas antes do isolamento se tornar o novo normal.
Jornalista formado pela Fabico/Ufrgs como eu, e hoje professor de Mindfulness, Felipe é cofundador desse lugar que nos propicia imensa paz e profundo conhecimento de temas (mais do que nunca) tão essenciais à vida.
Eu estava curiosa pra ouvir a história desse lugar que tem provocado tantas transformações – como leio nos depoimentos compartilhados no instagram do Pacífico. Entre os quais, está o meu, contando como encontrei no Mindfulness uma prática acessível e consistente pra mudar a freqüência da reclamação.
Eu sentia que ali havia uma história linda de contar! Uma história recheada de verdade, conexão e propósito. E também alguma jornada de transformação.
E não é que meu instinto estava certo?
– O Pacífico nasceu de um processo de transformação pessoal meu – conta Felipe, logo que iniciamos a prosa, num final de tarde dourado na capital gaúcha, quando entrevistas presenciais e andar sem máscaras ainda era possível.
Depois de 17 anos trabalhando na área de comunicação, muitos dos quais em televisão, Felipe começou a ter vontade de fazer algo diferente. Alguma coisa nova. Algo que pudesse aprender e mergulhar. Mas ele ainda não sabia bem o que era.
– Não que eu sentisse aversão ao que eu fazia, não era isso – explica – Eu me sentia realizado. Mas também sentia que faltava alguma coisa.
Disposto a abrir espaço para que uma resposta surgisse, Felipe decidiu fazer um período sabático em 2016. Nessa pausa de um ano, sua primeira ação foi buscar um retiro. Pra isso, digitou ‘melhor retiro espiritual do mundo’ no Google e assim chegou ao instituto Esalen, na California, Estados Unidos. E nele encontrou um retiro que lhe chamou a atenção.
Tratava-se de ‘Arte e Ciência da Transformação’, comandado pela então presidente do Instituto de Ciências Noéticas dos Estados Unidos. E que compartilhava pesquisas que visavam entender como as diferentes linhas espirituais do mundo entendiam o processo de transformação humana.
Interessado pelo tema, se candidatou a uma vaga. Foi aceito e partiu pra viver esse chamado, com o coração aberto a novas possibilidades.
– Me coloquei à disposição de viver essa aventura – conta – E vivi dias maravilhosos. Dias incríveis de conexão comigo mesmo, com o espaço e com as pessoas.
Embora já conhecesse Mindfulness, e a prática já lhe ajudasse a experimentar o trabalho de forma mais leve nos tempos da televisão, a vivência em Esalen acabou criando uma maior proximidade com essa prática de uma maneira muito mais aberta. Ampla. O que lhe propiciou uma grande quebra de paradigmas e muitos insights.
– A forma como eles trabalham esses assuntos de desenvolvimento pessoal, espiritualidade, práticas mentais, é muito simples e acessível – explica Felipe.
Atividades como yoga, danças meditativas, outros estilos de meditação, chacras, e tantas outras que lhe pareciam tão místicas e inacessíveis, começaram a se tornar mais reais. Mais descomplicadas. Mais fácies de inserir na rotina de qualquer pessoa.
E foi ao final desse retiro, durante um exercício de visualização à beira do oceano Pacífico, que Felipe teve então a visão do que ele queria dali pra frente: comunicar o que ele estava entendendo, esse tipo de conteúdo, de uma forma simples. Que fizesse chegar nas pessoas o quão simples e descomplicado é fazer um exercício de meditação, ou uma aula de yoga.
– Veio com muita clareza de que eu tinha, daí pra frente, isso como uma missão – relembra – E que o componente que estava faltando no meu papel de comunicador era exatamente esse conhecimento e esse conteúdo.
Me arrepio ouvindo suas palavras, sentindo a força desse seu momento.
– Eu enxerguei ali um mar de pessoas esperando para ouvirem a desmistificação dessas práticas. E sai de Esalen com uma vontade de me aprofundar nos estudos de Mindfulnes para poder ensinar.

Com isso, além de intensificar sua própria prática, o objetivo de Felipe passava a ser também o de ensinar. O que o levou a fazer cursos sobre Mindfulnes na Califórnia, passando por centros de meditação bem conhecidos nos Estados Unidos como Against the Stream e Spirit Rock. Além disso, passou a frequentar alguns centros de meditação em San Francisco.
Ao retornar ao Brasil, ainda em seu ano sabático, Felipe sentiu que queria ter um espaço pra reunir pessoas pra compartilhar e desenvolver uma prática juntos. E também trabalhar o desenvolvimento humano que, para ele, é o despertar de uma consciência pessoal sobre os nossos potenciais.
Com essa ideia, acabou se reunindo com sua irmã Bárbara Rech Cosso, astróloga e consteladora familiar, que já havia vivido sua própria transformação pessoal e vinha nesse caminho há anos. Juntos, então resolveram abrir um espaço pra oferecer cursos, workshops, oficinas e trazer outros facilitadores pra compartilhar conhecimentos. E com esse propósito, em dezembro de 2017, abriam o instituto batizado de Pacífico.
– O nome surgiu de uma forma muito natural. E era óbvio, pois foi onde eu criei o projeto todo – explica Felipe – Quando fui olhar a folha onde fiz o projeto, que foi a visualização que tive lá na frente do Oceano Pacífico, ela era um oceano de palavras! Aí, o nome surgiu na minha mente.
Sem titubear ou se delongar pra pensar no significado, Felipe teve certeza. Aquele era o nome. Porque representava toda a trajetória de transformação que lhe trouxera até àquele momento. E mais: Pacífico como conceito também cabia lindamente no propósito de despertar nas pessoas uma paz maior e de um mundo mais pacífico no contexto em que vivemos.
A fim de representar tudo isso em um conceito visual, Felipe explicou à artista que criaria a marca que essa deveria conter elementos e traços que vêm de diferentes tradições espirituais e saberes, espelhando a abordagem holística do Pacífico.
– Tudo é bem-vindo – ressalta Felipe – E não temos qualquer filtro de religiosidade ou apego a uma linha específica.
Assim, a marca traz em si as sete linhas dos cursos, workshops, oficinas e práticas oferecidas no Pacífico, que são meditação, terapias, psicologia, filosofia, relações sociais, movimentos corporais e arte/criatividade. E que são os pilares, o norte do instituto.
Em comum, todas elas se traduzem em práticas e conhecimentos que têm o poder de auxiliar as pessoas em sua jornada de desenvolvimento pessoal. E de despertar o mestre interior que habita cada um de nós. Razão pela qual o topo da marca é uma coroa. Exatamente pela ideia de que você pode ser seu próprio mestre.
– Quando a gente se coloca à disposição de despertar algumas coisas interessantes pra nós, dentro de nós, começamos uma jornada de coração, de nós mesmos, como soberanos da nossa própria história.
Que lindo. E real!
Digo isso porque, depois de quatro meses praticando Mindfulness, me sinto gradativamente mais soberana das minhas emoções e conseguindo (re) agir cada vez menos no piloto automático. A prática tem se revelado também uma super duper aliada pra diminuir minha ansiedade nesses tempos desafiadores de confinamento e pandemia. E alimentar serenidade diante da ampliação da instabilidade promovida pela sandice generalizada capitaneada pelo governo brasileiro e grupos fanáticos. Tenho feito diariamente, com raríssimas exceções, a prática da compaixão. Da bondade amorosa.
Aliás, quanto mais pratico a presença, essa capacidade de colocar minha atenção no presente, no aqui e agora, mais aumenta a alegria, a felicidade, a bondade, a generosidade, a compaixão. Comigo mesma e com os outros.
Sim, como diz o Felipe, tudo isso pode ser acessado e cultivado através da prática!
– Todos temos ferramentas e valores potenciais dentro de nós – explica – E porque vivemos muitas vezes distraídos e desfocados de coisas que são importantes pra nós, nos afastamos dessas ferramentas internas que podem ser muito poderosas para gerar bem-estar. Mas à medida que despertamos e cultivamos essas potencialidades com a prática, vamos melhorando nossa relação com nós mesmos, com as outras pessoas e com o mundo.
E isso Felipe testemunha diariamente.
– É muito rico o resultado que se tem nesse tipo de trabalho. O quanto se aproximar desse estudo e dessa prática muda a vida das pessoas pra melhor. Na carreira, vida pessoal, familiar, amorosa, profissional. Impacta fortemente. O que faz com que a gente fique muito emocionado, por sentir realmente que isso faz sentido. A gente fica feliz com a felicidade dos outros.
Aliás, eis outra coisa aí que a prática de Mindfulness nos propicia: ficar realmente feliz ao sentir que contribuímos para a felicidade dos outros. Sentimento tão essencial no mundo nesse momento.


PACÍFICO ONLINE
Desde o início de abril, o Instituto Pacífico migrou suas atividades para o universo online. O que permite que mais e mais pessoas de todos os cantos do mundo possam acessar seus cursos e encontrar paz dentro de si.
No instagram do Pacífico você confere a agenda mensal de cursos e atendimentos. Aliás, esse mês tem um curso incrível que eu fiz em fevereiro e amei, que é o Awakening Joy – O despertar da Felicidade. Uma bússola pra esse momento.
Também o Clube Mindfulness agora é um encontro semanal ao vivo, online e gratuito no Zoom. Todas as segundas-feiras, às 19h, praticantes, curiosos e interessados nessa meditação exploram a prática. E ainda, o (auto)conhecimento das intenções que lhes habitam.
Além disso, tem ainda o Momento Pacífico, live de segunda à sexta-feira às 11h no instagram, com breves e ricas práticas e conceitos de Mindfulness. Não perco.
Tudo isso me faz pensar na visão que Felipe teve à beira do Pacífico lá em 2016: um mar de pessoas navegando um oceano de paz. E eu, uma das beneficiadas pela sabedoria desse mar, agradeço profundamente ao Felipe. Por ter seguido a sua visão e o seu coração, e ter criado esse lugar que nos ensina a despertar e cultivar a paz dentro de nós. E assim, sermos livres.

