Em sua news no Substack, a escritora Elizabeth Gilbert conta que, com o passar dos anos, passou a acreditar que há uma inteligência gentil, amorosa e magnífica no universo. E que, assim como ela, quem também acreditava viver num universo amigável era o físico Albert Einstein.
“A decisão mais importante que tomamos é se acreditamos que vivemos em um universo amigável ou hostil”, propunha ele, para quem a forma como respondemos a essa questão impacta todos os momentos da nossa existência.
Estou com eles!
Também sou do time das que acreditam que há muito mais gentileza e magia (no sentido de maravilhamento, de encantamento) no cotidiano do que “imagina a nossa vã filosofia” e razão.

Talvez por isso eu tenha tanta dificuldade com as interpretações catastróficas, metendo o terror, que leio por aí em épocas de eventos astrológicos como o eclipse ou dos alinhamentos planetários. Usar o medo na tentativa de mostrar poder e, assim, calar a voz de uma pessoa e surrupiar sua capacidade de agência é uma abordagem tão patriarcal e violenta que é impensável compactuar com ela.
Como concordar com isso se buscamos consciência para nos libertar das amarras conceituais, dos espartilhos mentais que até hoje nos aprisionam?
Sem condições.
Essa é uma das muitas razões que me faz escolher e acolher o mesmo paradigma que Liz e Einstein ao me relacionar com os eventos cotidianos da vida, com o mundo (o de dentro e o aqui fora) e com os planetas na astrologia.
Por exemplo, com essas lentes gentis, eu deixo de ver Saty, a astromulher sagrada que representa o planeta Saturno na astrologia mulheril, como uma complicação na minha vida. Como a causa de todos os meus dramas e dificuldades. Como um entrave. E, mais importante, passo a entendê-la como uma grande aliada e uma mulher que muito tem a me oferecer.
Saty é a força que me convida a lidar com a realidade e usar o tempo que disponho aqui nesse mundo de uma forma que faça sentido para mim, para o meu coração, para a minha alma. Ela me convida a assumir a responsabilidade por meus atos e escolhas, a me comprometer com meus projetos, com aquilo que meu coração sonha e minha alma anseia, com o que eu desejo estruturar na sua vida.
Para isso, as ferramentas que ela lhe disponibiliza são a capacidade de estabelecer limites reais e pragmático, foco, persistência e disciplina. Quando não se faz nada disso é que o peso da culpa e da frustração entram em cena.
A propósito, é essa mulher ancestral que nos coloca no famoso estado de flow proposto pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, aquele estado de completo abandono e pleno envolvimento e dedicação a uma atividade que nos faz perder a noção de tempo e espaço. O estado em que deixamos pra trás a dimensão do tempo do relógio de Chronos e acessamos o tempo divino de Kairós, que é o da atenção plena no que se faz, no agora, o tempo da criação.
Esse reels do cantor Eddie Vedder, recitando palavras do escritor Damien Echols, me faz pensar em Saty e nessa nossa relação com o tempo.
Falando em tempo, é muito lindo e potente quando entendemos que Saty nos conecta ao passado não para nos manter lá presas, apegadas ao que já se foi, mas para nos lembrar o que é importante conservar conosco porque forja quem somos. O que essa mulher ancestral nos propõe é colocarmos foco na realidade, nos recursos que dispomos aqui e agora, para estruturar aquilo que desejamos construir, edificar, por aqui. E a nós mesmas.
Eu poderia seguir falando sobre as muitas camadas do que Saty simboliza, mas essa não é a intenção desse post. Se você quiser saber mais sobre ela, acessa esse link aqui.
O que me interessa compartilhar é essa mudança de percepção, de olhar sobre a vida, que nos possibilita nos encantarmos com a existência. Ver o mundo assim, com encantamento e gentileza, é uma escolha transgressora numa sociedade e sistema que nos quer máquinas funcionais, iguais em formato e produtivas.
Não estamos mais acostumadas a perceber essa magia e gentileza da vida porque fomos educadas e socializadas num mundo desencantado, onde não há magia ou propósito algum. Fomos ensinadas a desprezar e classificar qualquer coisa minimamente assim como uma grande bobagem e a não perder tempo com essas tolices!
Mas a nossa fiação interna precisa de encantamento. É da nossa constituição humana. Escrevi sobre isso no final do ano passado. Sobre o quanto precisamos do sonho, da fantasia, da imaginação, para dar conta da realidade. Para viver e não apenas sobreviver. Sim, precisamos desse olhar gentil e encantado sobre nós mesmas, sobre o mundo, sobre os astros e o nosso mapa astral, sobre a vida, sobre o que nos cerca.

Não sei você, mas sem esse olhar amoroso e encantado, eu fico totalmente desconectada da natureza da vida e absolutamente sem energia. O ímpeto diminui, a vontade do espírito enfraquece, as ideias desaparecem, a clareza some, a ansiedade cresce e eu acabo doente.
Falando nisso, acho muito significativo (e simbólico, portanto) que toda a pesquisa de Mihaly em torno do flow tenha surgido da curiosidade de um jovem, numa Hungria pós-guerra, de como algumas pessoas conseguiam encontrar satisfação e alegria em meio a atribulações e adversidades.
ESCOLHAS
É incrível como muda algo dentro da gente quando se começa a dar espaço para esse olhar gentil e de encantamento sobre a vida. Venho refletindo sobre isso nos últimos tempos, principalmente depois das aulas do curso Mundo adentro, Céu afora, do encontro de março do Clube de Astrologia para Mulheres e do eclipse da última segunda-feira, depois de ouvir relatos de pessoas que foram orientadas a não sair de casa para evitar energias negativa.
Oi? Quem foi que disse, Berenice, que eclipse é ruim simbolicamente?
Eclipse é um evento sazonal no céu. A cada ano, temos quatro deles acontecendo. Dois em cada semestre, ao menos. E, astrologicamente, o que ele faz é girar chaves, abrir portas no inconsciente, pra que a gente se conecte com uma compreensão que ainda não fazia sentido para nós ou sequer conseguíamos nomear.
Eclipse é sempre um convite da vida para mergulharmos nas profundezas do sentir e das percepções do corpo até então inconscientes. Esse convite nos é entregue através de alguma situação ou evento que se desdobra em nosso entorno e nos convida a essa reflexão.
Dessa imersão mundo adentro, uma nova compreensão desponta na consciência e, a partir dela, fazemos escolhas que podem incluir acolher algo novo (um sentimento, uma ideia, uma relação, o que for) e descartar o que não nutre mais nem o corpo, tampouco a alma. Ou seja, giramos chaves.
Num eclipse Solar, como o da última segunda-feira, quando a Luna (a Lua na astrologia mulheril) fica entre Gaia (a Terra) e Soléi (o Sol), bloqueando a luz solar e projetando sua sombra sobre a Terra, o convite da vida e as escolhas giram em torno do que vai garantir a nossa sustentabilidade e florescer por aqui.
Já no eclipse lunar, quando é Gaia quem se coloca entre Luna e Soléi, bloqueando a luz solar e projetando sua sombra sobre a Lua, o convite e as escolhas estão ligados ao que é necessário para nos manter nutridas e seguras. Para manter o nosso equilíbrio interior e bem-estar.
Não é encantador e mais leve olhar com óculos simbólicos para os eventos da vida (e os do céu e do cosmos), usando as lentes da amorosidade, da curiosidade e da gentileza?

Para mim, são essas as lentes que têm nutrido e regado minha energia vital e o encantamento com a vida, já que me conectam com o que Liz Gilbert chama de inteligência gentil, amorosa e magnífica do universo. Também são elas que têm me ajudado a girar chaves dentro de mim.
