Vai um pouco de desapego aí?

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No último post aqui,  a médica Luciana Costa falou que todo o desequilíbrio nasce do apego. Este, por sua vez vem do medo – do desconhecido, da perda, da falta, seja lá do que for.  É realmente interessante a força do apego, não é mesmo?  E como o seu oposto, o desapego  é um conceito muito mais fácil de entender do que viver. De falar do que praticar.

Quer ver só um exemplo?

Dia desses, estava ouvindo o relato de uma amiga, que atravessa uma mudança de profissional. Bem resumidamente,  ela está abandonando a posição amadora para  dar lugar à profissional no mercado. Abandonando o ‘faço em casa’ para o ‘tenho uma empresa’. Ela está assumindo a empreendedora dentro dela.  E então, exatamente neste ponto, que o  drama aconteceu. Vamos aos fatos.

Tudo começou quando minha amiga precisou mexer no blog dela, um espaço que, por anos, ela cuido e cultivou com tanto amor e carinho. O lugar em que ganhou visibilidade e começou a vender seus produtos. Ela sentia e desejava muito mudar ‘a cara’ dele, que já não condizia mais com os seu momento pessoal e profissional. Com as suas necessidades.  Mas  aí, o apego se manifestou e o estresse e a frustração foram deflagrados…

Minha amiga não aceitava nada, sugestão alguma era aprovada. Porque ela se mantinha presa e apegada ao visual antigo, ao conceito amador de ser, que já não dialoga mais com a proposta dela.  Ela não consegue entender que as mudanças que tanto almejava para seu novo negócio só serão efetivas se ela assumir a empreendedora que é e  legalizar  para si mesma a sua empresa .  Ela não compreende a necessidade desta sua transição para a sua atividade profissional. Por apego. Puro e forte apego. Ao que já findou. À zona de conforto chamada conhecido.

Pois é esse apego que acaba gerando necessidade de controle. Dificuldade para aceitar o diferente que as pessoas oferecem e a vida brinda. E o peso asfixiante do condicionamento ao ‘tem sido assim e sempre funcionou’.  O apego nos faz reativos a toda e qualquer mudança, à transformação, ao novo.  Como se ele pudesse, da fato, impedir o  processo natural de transição e evolução da coisas na vida.

Caso você ainda não tenha percebido, este aí acontece independente da sua vontade. Querendo ou não. Aliás, já imaginou se as lagartas se tornassem apegadas aos casulos e se recusassem evoluir? Que triste seria para o mudo a inexistência das borboletas, com sua leveza, cor, beleza e significado, não é?

A boa notícia é que apego e condicionamento têm solução. E o nome é consciência – como disse a Luciana no post anterior.  Agora, digo eu: com prática e prática, a gente aprende a minimizar o apego e os condicionamentos. E a acolher a mudança em sua intenção e a viver as transformações sem medo, abraçando com confiança o propósito de cada novo estágio e momento da vida.