Uma máquina de Storytelling

storytelling e tarô

Quando comecei a me relacionar com o universo simbólico e arquetípico, ainda nos meus tempos de redação em jornal, eu sabia que isso iria impactar a minha escrita. Afinal, sempre escrevo sobre o que vivencio e sinto – é da minha natureza fazer isso, disseminar conhecimentos, experiências e práticas que me fascinam. Mas jamais imaginei, naquela época de aprendiz, que encontraria tanta semelhança e até convergência no modus operandi entre escrever histórias e o Tarot.

Desde que o mundo é mundo, o homem  conta histórias, usa o Storytelling para descrever aquilo que não consegue explicar de nenhuma outra forma,  o que a razão não dá conta, o que está além do mundo material.  Aliás, reza a lenda que ouvir uma história é a maneira com que a alma e espírito nossos prestam atenção e aprendem.   E assim surgiram lendas e mitos que, ao descreverem padrões de desenvolvimento e experiências psicológicas e espirituais que todos vivemos internamente, fazem com que o nosso universo interior se identifique imediatamente.

Os mitos (para os gregos, mythos significa palavra, história), como explica a psicóloga e astróloga Liz Greene,  nos permitem ‘constatar a nossa ligação com as forças da natureza e os eternos desígnios humanos’. A mesmíssima coisa que faz o Tarot – como dizia o escritor italiano Italo Calvino, o Tarô é ‘uma máquina para contar histórias’. As 22 cartas dos Arcanos Maiores – aquelas belas imagens com nomes como Louco, Força e Mundo – contam uma linda história sobre essa viagem arquetípica comum a todos nós: a nossa jornada interior, do espírito e da alma.

Isso é tão lindo que me aproximou do Tarot, claro! E, sim, sim, sim! É linda a semelhança entre as estruturas de leitura do Tarot e a de contar histórias. Ambos se orientam pela mesmíssima verdade universal:  a nossa jornada arquetípica por aqui.  E salve o universo simbólico!